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Esposa de Gildo de Freitas relembra o artista no dia do seu aniversário
Nos anos 1970, caminhava pelas ruas de Porto Alegre um homem ímpar. Vestido de botas, bombachas e com um jeito considerado por muitos grosseiro, Gildo de Freitas criava polêmica e esbanjava talento. Nesta terça-feira (19), se estivesse vivo, o maior trovador do Rio Grande do Sul completaria 93 anos.
Na história, ficaram as músicas, os causos, as rimas e a saudade. Saudade, aliás, que bate na porta de Dona Carminha diariamente. A esposa de Gildo de Freitas era a companheira de todas as horas. "Toda mulher tem que ser amiga do marido", proclamou após a sua morte no programa Galpão Crioulo em 1985.
Jurema Silva de Freitas, hoje com 85 anos, passou metade da vida ao lado de Gildo. "Dona Carminha", como é carinhosamente chamada desde a infância, foi companheira e muitas vezes cúmplice de Gildo e se considera a maior incentivadora do artista: "O Gildo sempre foi uma pessoa de muita força. Às vezes ele queria parar de gravar, de cantar, dizia que ia tentar fazer outros serviços, mas eu nunca deixei". A esposa do gaúcho conta ter dado sempre um "empurrãozinho" em sua carreira: "Repeti diversas vezes que o sucesso da pessoa não vem na hora, sempre achei que ele tinha que continuar".
Conhecido principalmente pela canção "Eu reconheço que sou um grosso", Gildo frequentava apresentações de trova e era rápido nas palavras e rimas. "Ele cantou até o fim da vida. No dia que faleceu, fizeram um show bem grande, em um salão no litoral", relembra Carminha: "Ainda bem que ele não foi, se não aconteceria lá". Ao lado de Teixeirinha compôs grandes sucessos, fato que ajudou na criação do Dia do Poeta Repentista Gaúcho e do Artista Regional Gaúcho no Rio Grande do Sul. Gildo e Teixeirinha são os patronos, pois ambos morreram em 4 de dezembro - o primeiro em 1982 e o segundo em 1985.
Sobre as contribuições de Gildo para a sociedade, Dona Carminha lembra da música "Ajudando a medicina", que conta o drama do artista e as doenças que surgiram pelo uso do cigarro. "Mas a mais bonita para mim são as que falam da nosa família", ressalta. Entre elas, "Estrada da vida", "Vida brava" e "Casinha do pé de umbu".
Autor
lccomunic
Em: 19/06/2012, 21:00

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