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Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam nós políticos na montagem de palanques a 80 dias do pleito
A apenas 80 dias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, os arranjos políticos estaduais impõem complexos desafios aos dois principais concorrentes ao Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda busca definir quem apoiará em três unidades federativas, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, depara-se com a ausência de palanques consolidados em seis estados. O epicentro desse quebra-cabeça é Minas Gerais, tradicional termômetro das disputas nacionais, onde o candidato vencedor historicamente conquista a Presidência desde o pleito de 1989. Sendo o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,2 milhões de eleitores, o estado mineiro tem exigido intensas articulações de ambos os lados, que tentam viabilizar nomes competitivos em um cenário de indefinições.
No campo progressista, Lula tenta destravar a situação mineira por meio de uma agenda direta com o deputado federal Patrus Ananias. O experiente parlamentar de 74 anos, que inicialmente mirava uma reeleição tranquila, sinalizou positivamente após pesquisas internas do PT apontarem que seu desempenho é equivalente ao da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos. A investida sobre Patrus ocorre após as recusas de Marília — que deve focar na disputa ao Senado — e do senador Rodrigo Pacheco, que optou por não buscar a reeleição.
Enquanto isso, a ala conservadora enfrenta ruídos semelhantes em Minas Gerais. O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, desponta como o favorito de Flávio Bolsonaro, mas resiste a confirmar sua candidatura ao governo, gerando descontentamento na cúpula do PL. Por estar no meio do mandato de senador, Cleitinho não precisaria renunciar ao cargo para concorrer, o que aumenta a pressão sobre ele. Além disso, a falta de engajamento do influente deputado federal Nikolas Ferreira na campanha de Flávio tem gerado críticas internas, forçando o PL a avaliar alternativas de perfil empresarial, como Flávio Roscoe, presidente licenciado da FIEMG, e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim.
As negociações correm contra o relógio, uma vez que o coordenador político da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho, estipulou a convenção nacional do partido, em 25 de julho, como prazo limite para fechar as alianças. O principal obstáculo da direita está no Nordeste, onde redutos lulistas tradicionais barram o avanço do bolsonarismo. Na Bahia, ACM Neto tenta desvincular sua imagem da candidatura de Flávio devido à hegemonia de 16 anos do PT no estado. O mesmo receio afasta potenciais aliados em Pernambuco e no Maranhão, obrigando a campanha do PL a negociar em outras frentes. Atualmente, Flávio tenta selar acordos com o ex-prefeito de Maceió, JHC, em Alagoas, e com Antônio Furlan, no Amapá. A costura política nacional também sofreu abalos após críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao acordo com Ciro Gomes no Ceará, o que exigiu uma carta de respaldo do ex-presidente Jair Bolsonaro a Flávio. A leitura pública desse documento, contudo, culminou em uma sanção do Supremo Tribunal Federal, que proibiu visitas do senador ao pai por 90 dias.
Em contrapartida, Lula tem adotado uma postura pragmática, viabilizando palanques duplos em estados onde diferentes aliados disputam o poder local. Em Pernambuco, o petista equilibra o apoio entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos. No Maranhão, ele acomodou as tensões provocadas pelo governador Carlos Brandão, que lançou o sobrinho Orleans Brandão em detrimento do vice petista Felipe Camarão, mantendo a proximidade com ambas as frentes e ainda dialogando com o líder das pesquisas, Eduardo Braide. Essa estratégia de palanque duplo se repete na Paraíba, com Lucas Ribeiro e Cícero Lucena, e no Distrito Federal, com Leandro Grass e Ricardo Cappelli. As lacunas remanescentes de Lula concentram-se em Roraima, onde busca atrair o ex-governo Edilson Damião em detrimento da candidatura própria de Antônia Pedrosa, e em Goiás, onde o partido mantém Luís César Bueno enquanto o presidente prefere o nome da deputada Delegada Adriana Accorsi.
O balanço das forças estaduais evidencia as diferentes estratégias de composição partidária. A base de apoio de Flávio Bolsonaro conta com 13 palanques do PL, dois do PP, dois do Republicanos, além de representações pontuais do PSDB, Podemos, União Brasil e uma composição conjunta entre tucanos e o Republicanos. Contudo, partidos como o Republicanos e a federação PP-União Brasil demonstram resistência a uma coligação nacional formal com o PL, pressionados por diretórios do Norte e Nordeste alinhados ao PT ou por exigências de apoio recíproco em estados como Mato Grosso, Acre, Espírito Santo e no próprio território mineiro.
Por sua vez, a ampla rede de alianças de Lula soma oito palanques do PT, cinco do PSD, dois do PDT, dois do PSB, dois do MDB e um do União Brasil, além de quatro palanques duplos que envolvem arranjos com o PSB, MDB, PSD e PP. Essa distribuição capilarizada reflete o esforço do atual mandatário em diluir disputas regionais em prol de sua sustentação nacional, enquanto a oposição tenta consolidar sua identidade ideológica diante de fragmentações regionais de seus parceiros de centro-direita.
Autor
Bruno Vargas
Em: 16/07/2026, 05:46

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