Rádio Querência

Cremers repudia abertura de curso de Medicina em Palmeira das Missões

O Conselho alerta para a falta de infraestrutura adequada, a ausência de hospital de ensino certificado, a inexistência de programas de residência médica suficientes e a inviabilidade prática dos campos de estágio
Cremers repudia abertura de curso de Medicina em Palmeira das Missões
UFSM campus Palmeira das Missões. Imagem: Alfredo Stamm

Em nota pública, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) manifesta posição contrária à abertura de curso de Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no município de Palmeira das Missões. O Conselho alerta para a falta de infraestrutura adequada, a ausência de hospital de ensino certificado, a inexistência de programas de residência médica suficientes e a inviabilidade prática dos campos de estágio.

Além disso, chama a atenção para o fato de não haver hospitais de alta complexidade na região; corpo docente em número minimamente próximo do necessário; e capacidade instalada para sustentar a intensa carga de práticas exigida pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, lembrando que o próprio anteprojeto admite que outros cursos do campus precisam enviar alunos a Santa Maria para concluir atividades práticas — algo impossível para Medicina, que já enfrenta limitações estruturais mesmo na sede.

Para o vice-presidente do Conselho, Eduardo Neubarth Trindade, a decisão de avançar com a criação de um curso de Medicina em Palmeira das Missões revela um movimento muito mais político do que técnico, contrariando frontalmente os requisitos legais, estruturais e acadêmicos que norteiam a formação médica no Brasil. “O próprio Colegiado do curso de Medicina da UFSM, em parecer oficial, já classificou a proposta como ‘inadequada, irregular e impraticável’. Abrir cursos de Medicina sem condições reais é fabricar diplomas, não formar médicos”, salienta.

O Cremers, que tem como uma de suas principais bandeiras o combate à criação desenfreada de cursos de Medicina, defendendo a qualificação do ensino com garantia de infraestrutura para capacitação dos futuros médicos, reforça ainda a posição de que abrir escolas médicas no interior não garante a fixação de médicos, pois profissionais se fixam onde há estrutura, condições de trabalho, residência médica e perspectiva de carreira.

“Criar um curso sem hospitais qualificados, sem docentes, sem residência, sem estrutura e sem campos de prática adequados representa risco direto à qualidade da formação e à segurança da população. A política não pode atropelar a técnica, muito menos quando se trata de formação médica — área em que erros custam vidas”, reforça Trindade.

Leia a nota na íntegra:

Nota Pública
Abertura do Curso de Medicina pela UFSM em Palmeira das Missões

A decisão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) de criar um curso de Medicina em Palmeira das Missões revela um movimento muito mais político do que técnico, contrariando frontalmente os requisitos legais, estruturais e acadêmicos que norteiam a formação médica no Brasil.

O próprio Colegiado do Curso de Medicina da UFSM, em parecer oficial, classificou a proposta como “inadequada, irregular e impraticável” — apontando falhas graves de infraestrutura, ausência de hospital de ensino certificado, inexistência de programas de residência médica suficientes e inviabilidade prática dos campos de estágio.

Não há hospitais de alta complexidade na região; não há corpo docente em número minimamente próximo do necessário; não há capacidade instalada para sustentar a intensa carga de práticas exigida pelas Diretrizes Curriculares Nacionais. O próprio anteprojeto admite que outros cursos do campus precisam enviar alunos a Santa Maria para concluir atividades práticas — algo impossível para Medicina, que enfrenta limitações estruturais mesmo na sede.

Além disso, a justificativa recorrente de que abrir escolas médicas no interior garantiria a fixação de médicos não encontra respaldo em qualquer evidência robusta. Profissionais se fixam onde há estrutura, condições de trabalho, residência médica e perspectiva de carreira — nada disso está assegurado na proposta apresentada.

Surpreende ainda mais que essa iniciativa parta de uma universidade pública e tradicionalmente reconhecida por sua qualidade, que deveria se pautar por critérios técnicos, e não por decisões de caráter político-populista.

Abrir cursos de Medicina sem condições reais é fabricar diplomas, não formar médicos.

Criar um curso sem hospitais qualificados, sem docentes, sem residência, sem estrutura e sem campos de prática adequados representa risco direto à qualidade da formação e à segurança da população. A política não pode atropelar a técnica, muito menos quando se trata de formação médica — área em que erros custam vidas.

Dr. Eduardo Neubarth Trindade
Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers)

R

Autor

redação

Em: 17/12/2025, 04:54

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