Na última semana a Rádio Querência lançou a campanha “Vamos falar de vida?”. O Objetivo é falar do suicídio, desmistificar a falácia de que “depressão é frescura” e divulgar o número 188 do CVV- Centro de Valorização da Vida.
Em Santo Augusto, nos últimos meses, ocorreram quatro suicídios. São números que mostram a necessidade de sentir, pensar e agir. Falar para quebrar tabus e enfrentar o problema.
Na programação da Rádio Querência você acompanha spots com informações sobre o assunto e também entrevistas. Na manhã desta terça-feira, 30, conversamos com a Claudia Regina, voluntária e coordenadora do CVV de Três de Maio. O CVV é um canal através do número 188 que atende 24 horas por dia pessoas que precisam desabafar. É gratuito, sigiloso e anônimo.
Trabalhando a pouco mais de dois anos como voluntária, Claudia explicou como é realizado o atendimento pelos voluntários. “É importante saber ouvir, sem buscar soluções ou justificativas. É um atendimento sem julgamentos, sem preconceito, sem aconselhamentos. Escuta, acolhe e ajuda a desabafar, de forma que ela consiga limpar a mente, despressurizar do estresse diário, para que ela própria consiga vislumbrar uma saída para o problema dela”.
O suicídio é uma questão de saúde pública que leva 32 brasileiros por dia. A Organização Mundial da Saúde diz que 90% dos casos podem ser evitados, mas para prevenir é preciso informação e conhecimento. E falar sobre suicídio não é fácil. É um assunto delicado, que bloqueia os sentimentos, provoca exclusão e afastamento. É preciso ter um olhar atento e fraterno para enxergar a dor do próximo.
Também é preciso falar sobre suicídio para diminuirmos os índices, para quebrarmos o tabu. “É um assunto tão triste, mas é uma chaga que temos na nossa sociedade. O CVV diz que falar é a melhor solução, sempre”, reforçou Cláudia. Mas sabe-se que quem está passando por essa situação, de depressão e tristeza, muitas vezes tem dificuldades de expressar os sentimentos para familiares e amigos, por isso existe o CVV. Claudia relatou algumas situações que acontecem nos atendimentos. —Algumas ligações duram mais de uma hora. A pessoa liga chorando e termina agradecendo pelo atendimento. Outras ligam novamente somente para agradecer pelo apoio emocional. Isso nos marca é muito bom.
Durante a programação, ouvintes também relataram vivências sobre o suicídio. Seja um amigo, ou um familiar. Relatos fortes e emocionantes, como o de uma mãe que luta contra a depressão do filho, que já pensou em suicídio. Sobre essas situações, Claudia reforçou que qualquer pessoa pode fazer o papel do CVV, de ouvir, sem julgar.
—É ouvir a pessoa que está falando, sem pensar em conselhos para dar. Quando a pessoa vem falar com nós, precisamos apenas ouvir. Cada dor é única, não desqualificar o sentimento, isso faz com que nós nos aproximamos do problema do outro.
Entre as formas para tentar evitar o suicídio, Claudia pontuou o diálogo.
— Perguntar abertamente para quem conhecemos, ao notar qualquer mudança de comportamento, se a pessoa está pensando em desistir da vida. Isso gera um alívio enorme na pessoa. Se ela conseguir falar o que está pensando, ela pode mudar a situação, e desistir do ato.
O número do CVV é 188, você pode ligar a qualquer momento de qualquer telefone. Também há um site www.cvv.org.br, e um chat. Busque ajuda! O silêncio nunca é a melhor saída.
Confira a entrevista
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