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Queda nos juros básicos não afetou financiamento do déficit público

Queda nos juros básicos não afetou financiamento do déficit público

redução da taxa básica de juros da economia (taxa Selic) não afetou a demanda por títulos públicos, disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido. Ele negou que os cortes recentes tenham provocado a migração dos investidores dos papéis do governo – que financiam o déficit público federal - para a caderneta de poupança.

“O Tesouro Nacional não tem preocupação alguma sobre esse assunto porque a demanda por títulos não está afetada”, declarou Garrido, ao comentar o resultado de março da Dívida Pública Federal (DPF). Ele, no entanto, não informou a partir de qual nível a taxa Selic passaria a provocar receios na equipe econômica quanto ao surgimento de dificuldade para rolagem do endividamento da União.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu os juros básicos para 9% ao ano. A taxa é a segunda menor da história, superior apenas aos 8,75% ao ano que vigoraram entre julho de 2009 e abril de 2010. Segundo economistas, a redução da Selic pode provocar a fuga de aplicadores de fundos de investimentos – que são grandes compradores de títulos públicos – para a poupança.

Atualmente, a poupança rende o equivalente à Taxa Referencial (TR) mais 0,5% ao mês. Ao ser anualizado, esse índice se aproxima dos juros básicos da economia. Uma caderneta com vencimento no dia 1º de cada mês rendeu 7,5% em 2011, nível próximo dos atuais 9% ao ano da Selic.

Uma eventual migração dos fundos de investimento para a poupança poderá fazer o governo vender menos títulos públicos e dificultar a rolagem da dívida da União. Por meio dos títulos, o Tesouro Nacional pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos de curto prazo. Em troca, o governo se compromete a devolver os recursos com alguma correção, que pode ser definida com antecedência (no caso dos títulos prefixados) ou seguir a variação da Selic, do câmbio ou de índices de preços.

Durante viagem a Washington para a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que o governo estude mudança no cálculo do rendimento da poupança para reduzir sua atratividade e, dessa forma, impedir a migração de investidores para a caderneta.

Edição: Davi Oliveira

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lccomunic

Em: 23/04/2012, 21:00

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