Rádio Querência

Justiça suspende implantação de novas escolas cívico-militares no RS

Decisão deve atingir instituições de oito cidades que estavam em processo de transformação
Justiça suspende implantação de novas escolas cívico-militares no RS
Ainda cabe recurso da decisão que deve atingir instituições em oito cidades do RS Antonio Valiente / Agencia RBS

 

Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) decidiu, na quarta-feira passada (9), suspender a implementação de novas escolas cívico-militares no Rio Grande do Sul. A abertura de novas instituições faz parte de programa criado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). O governo do Estado poderá recorrer. 

A decisão de segunda instância, do desembargador Ricardo Pippi Schmidt, veio a público apenas nesta semana por conta do feriadão. O magistrado acolheu pedido do 39º núcleo do Cpers, sindicato que representa professores da rede estadual, e da Intersindical - Central da Classe Trabalhadora. A implementação estava planejada em escolas mantidas pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc-RS) e municipais. 

A decisão do TJ-RS não afeta as que já foram transformadas em cívico-militares, mas suspende as que estavam em processo de mudança. Também não diz respeito às instituições 100% militares, como o Colégio Militar de Porto Alegre, no bairro Bom Fim. 

Entenda a decisão

A proposta do Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares é implantar 216 locais no modelo em todo o país, até 2023 – 54 por ano. De acordo com o Cpers, o Rio Grande do Sul é o Estado que mais aderiu: 14 escolas, sendo seis estaduais e o resto, municipais. 

O sindicato informa que haviam instituições em oito municípios gaúchos em processo de adesão ao modelo cívico-militar: Bagé, Canela, Porto Alegre, Quaraí, Rosário do Sul, São Borja, São Gabriel e São Leopoldo.

Na visão do desembargador, o programa, lançado em setembro de 2019, fere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a Lei Estadual 10.576/95, que delegam a professores a gestão do dia a dia escolar. 

Em modelos tradicionais, quem dirige as atividades são diretor, vice-diretor e coordenador pedagógico. O magistrado concordou com o argumento do Cpers e da Intersindical de que colocar integrantes do Exército para fazer a gestão de escolas civis é contra a Constituição. As Forças Armadas podem fazê-lo em escolas 100% militares, regidas por lei específica.

No programa, militares da reserva, policiais militares e bombeiros atuam na rotina escolar em cargos de gestão, na área administrativa e para disciplina dos alunos. Profissionais da educação atuam dando aulas e na gestão pedagógica, no geral. 

Na decisão, o desembargador escreve que o Cpers informa que 80 escolas estaduais do Rio Grande do Sul estão “em colaboração para adesão” ao programa para se transformarem em instituições cívico-militares. 

Uma das responsáveis por entrar com o pedido, Neiva Lazarotto, diretora do 39º núcleo do Cpers, que abrange a rede estadual da zona sul de Porto Alegre, afirmou a GZH que a ação foi movida após o sindicato receber reclamações de uma que uma instituição estadual, no bairro Cavalhada, estava em processo de adesão ao programa.  

— Existem escolas militares. Não estamos questionando o modelo da militar, com currículo militar e que abre processo seletivo para ingresso. Somos contra a cívico-militar, que é a introdução do militarismo na escola civil pública. Essa escola tem que ser civil e laica. Os militares devem cuidar do seu papel constitucional de defesa e dos colégios militares. A escola pública precisa ter autonomia pedagógica, que permita a crítica, com a pedagogia da autonomia. A escola cívico-militar prepara para a obediência. São dois modelos antagônicos. Em outros estados, houve casos de cerceamento da liberdade de expressão — afirma Neiva. 

A advogada Karine Vicente, que atua na Advocacia dos Direitos Fundamentais, escritório responsável pelo processo, cita que escolas cívico-militares inserem um modelo de conduta militar em locais civis.

— O plano de gestão na área educacional do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares pode incluir normas disciplinares no controle de vestimentas, identidade e expressão cultural. O comportamento é classificado por meio de notas, e quem é responsável por isso são os militares. É de conhecimento que, em escolas que aderiram ao programa, houve crescimento de casos de censura, assuntos não podem ser pautados em sala de aula, como homofobia, feminismo e racismo, além de outras concepções políticas. Esse ambiente pode ser destoante da gestão democrática. Além de limitar o acesso da comunidade na gestão das escolas, atua no controle comportamental da comunidade — diz a advogada.

GZH contatou a Secretaria Estadual de Educação (Seduc-RS), que informou que a Casa Civil está responsável pelo assunto. A Casa Civil, por sua vez, informou que a decisão do desembargador ainda não foi analisada. “Quanto ao seu mérito, só poderemos nos manifestar quando de conhecimento da íntegra da decisão”, informou a assessoria de imprensa da pasta.

 

Fonte: Gaúcha ZH

R

Autor

redação

Em: 17/11/2022, 11:17

Mais lidas
Polícia Civil prende em Vacaria último foragido envolvido na morte de Ana Paula de Moura
Polícia Civil prende em Vacaria último foragido envolvido na morte de Ana Paula de Moura

Com a captura do suspeito neste domingo, forças de segurança concluem a responsabilização de todos os investigados pelo homicídio e pela ocultação do corpo da vítima santo-augustense.

Professora é a vítima fatal de colisão frontal na BR-468, em Três Passos
Professora é a vítima fatal de colisão frontal na BR-468, em Três Passos

O acidente ocorreu no início da noite deste domingo (6) e deixou outra pessoa ferida em estado grave.

Mulher morre em grave acidente entre dois veículos na BR-468, em Três Passos
Mulher morre em grave acidente entre dois veículos na BR-468, em Três Passos

Passos Colisão envolvendo um automóvel Ford Focus e uma caminhonete Chevrolet S10 ocorreu na noite deste domingo

Colisão entre veículos é registrada na manhã desta segunda-feira em Santo Augusto
Colisão entre veículos é registrada na manhã desta segunda-feira em Santo Augusto

Colisão lateral envolveu um Ford Fiesta preto e um Fiat Uno branco nas primeiras horas desta segunda-feira; ninguém ficou ferido com gravidade.

107ª Zona Eleitoral informa mudança em local de votação e novo edital de substituição de mesários em Santo Augusto
107ª Zona Eleitoral informa mudança em local de votação e novo edital de substituição de mesários em Santo Augusto

A Justiça Eleitoral da 107ª Zona Eleitoral emitiu comunicados importantes relativos à organização e aos locais de votação em Santo Augusto para as Eleições Gerais de 2026.

Últimas notícias
Colisão entre veículos é registrada na manhã desta segunda-feira em Santo Augusto
Colisão entre veículos é registrada na manhã desta segunda-feira em Santo Augusto

Colisão lateral envolveu um Ford Fiesta preto e um Fiat Uno branco nas primeiras horas desta segunda-feira; ninguém ficou ferido com gravidade.

Suspeito de feminicídio em Sarandi é morto em confronto com a Brigada Militar
Suspeito de feminicídio em Sarandi é morto em confronto com a Brigada Militar

Jovani Consoli era procurado pelo assassinato da ex-companheira, Andreia Gomes da Silva, ocorrido na noite de sábado

Acidente entre van da banda Os Atuais e carro deixa um ferido na ERS-129 em Encantado
Acidente entre van da banda Os Atuais e carro deixa um ferido na ERS-129 em Encantado

Colisão ocorreu na madrugada deste domingo após veículo invadir a pista contrária no Vale do Taquari; integrantes do grupo musical saíram ilesos

Professora é a vítima fatal de colisão frontal na BR-468, em Três Passos
Professora é a vítima fatal de colisão frontal na BR-468, em Três Passos

O acidente ocorreu no início da noite deste domingo (6) e deixou outra pessoa ferida em estado grave.