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Prognósticos apontam para LA NIÑA durante todo o verão
A continuidade da atuação do fenômeno La Niña é quase uma certeza e o episódio atual do fenômeno tende a se prolongar ao menos até o começo do outono de 2022. A mais recente análise mostrou um aumento ainda maior da probabilidade de La Niña no trimestre de verão que saiu de 87% na última avaliação para 92% na mais recente.
É o que mostra o último boletim de probabilidades para o Pacífico que acaba de ser divulgado pela Universidade de Columbia em parceria com a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, a NOAA.
De acordo com a última análise, o trimestre atual de outubro a dezembro tem 99% de probabilidade de La Niña e 1% de neutralidade. O fenômeno foi declarado pela NOAA na metade do mês passado. Para o trimestre de novembro a fevereiro que recém começa, 97% de probabilidade de La Niña e 3% de neutralidade. Já para o trimestre de dezembro a fevereiro, portanto, o do verão climático, e de enorme importância para a agricultura, a probabilidade é de 92% de atuação do fenômeno La Niña e 8% de neutralidade. Isso significa que o fenômeno terá impacto no regime de chuva no Brasil e alterará o padrão de circulação geral da atmosfera no planeta durante o verão meridional e o inverno setentrional.
No trimestre janeiro a março, de acordo com a avaliação, há 83% de probabilidade de La Niña e 17% de neutralidade. No período de fevereiro a abril, o prognóstico indica 69% de fase fria no Pacífico Equatorial e 31% de neutro. No trimestre de março a maio, no outono, 50% de probabilidade de La Niña, 49% de neutralidade e 1% de El Niño. No trimestre de abril a junho, a probabilidade de fase neutra passa a ser a maior com 33% de La Niña e 63% de neutralidade. No período maio a junho, 23% de La Niña, 65% de neutralidade e 12% de El Niño. E, por fim, no trimestre de junho a agosto, portanto, do inverno climático de 2022, probabilidade de 21% de La Niña, 60% de neutralidade e 19% de El Niño.
SITUAÇÃO ATUAL DA LA NIÑA
De acordo com o último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência climática do governo dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central está em -1,0ºC.
Este valor corresponde ao limite inferior da faixa de intensidade moderada (-1ºC a -1,4ºC). Na última semana, a anomalia observada era de -1,1ºC. A área do Pacífico Equatorial Central, região conhecida como Niño 3.4. é a utilizada oficialmente para designar se há El Niño ou La Niña atuando.
Já o Pacífico Equatorial Leste, perto dos litorais do Peru e do Equador, a região denominada de Niño 1+2, apresentou na última semana anomalia de -0,8ºC. Esta parte do oceano na faixa equatorial é conhecida por ter um impacto no regime de chuva do Rio Grande do Sul e quando está mais fria do que o normal nesta época do ano e durante o verão tende a favorecer chuva mais irregular ou abaixo da média no estado gaúcho.
Os efeitos do fenômeno La Niña, aliás, se fazem sentir no Rio Grande do Sul neste mês de novembro. A chuva tem sido escassa ou com baixos volumes na maioria das regiões e há incursão de ar frio tardio com massas de ar frio de trajetória oceânica, como se viu nesta semana com mínimas de até 2ºC em Santa Catarina e 3ºC no Rio Grande do Sul. Tal cenário não deve se alterar nas próximas semanas com a tendência de a chuva se manter abaixo da média no território gaúcho, salvo por ocorrências muito isoladas de precipitação forte por temporal isolado típico de verão. O cenário representa um risco para o milho que pode sofrer com a escassez de água e o calor entre os meses de dezembro e janeiro.
O QUE É O FENÔMENO LA NIÑA?
A La Niña se caracteriza pelo resfriamento das águas superficiais da faixa equatorial do Oceano Pacífico com a alteração do regime de vento na região que impacta o padrão de circulação geral da atmosfera em escala global, inclusive no Brasil. Quando há um evento de La Niña há uma tendência da Terra esfriar ou na fase atual de apresentar aquecimento menor que haveria estivesse sob El Niño.
No caso do Rio Grande do Sul, há estudos mostrando efeitos em produtividade agrícola pelas diferentes fases do Pacífico. Estes trabalhos consideram décadas de dados. Quando sob neutralidade, a produtividade ficou acima da média em um terço dos anos, abaixo da média em outro terço e acima no terço restante. Sob El Niño, a tendência maior foi de aumento de produtividade e com La Niña verificou-se uma probabilidade maior de perdas na produção.
Autor
Maira Kempf
Em: 12/11/2021, 11:33

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