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Polícia prende companheira de mãe de menino desaparecido no Litoral Norte
A Polícia Civil prendeu no final da tarde deste domingo (1º) a companheira da mãe do menino que está desaparecido no Litoral Norte. A mãe, que já está detida, afirmou em depoimento ter jogado o menino no Rio Tramandaí. A polícia ainda investigava se a companheira dela teria participação no crime, o que foi confirmado neste domingo, resultando na prisão temporária da mulher.
O menino ainda não foi encontrado. Neste domingo, a corrente vazante, que leva a água da Lagoa Tramandaí para o oceano, está mais forte, segundo a corporação. O comandante da operação de buscas, tenente Elísio Lucrécio, afirma que pescadores com redes na região foram consultados, e nada foi localizado. Agora, a tendência é de que o menino tenha ido para o oceano.
— Nós vamos seguir de prontidão para caso alguém tenha avistado algo na lagoa ou no rio e vamos deslocar o efetivo caso haja chamado. Agora vamos concentrar as buscas na orla. Já pedimos para o nosso pessoal em Capão da Canoa e Torres que faça o mesmo e os bombeiros de Santa Catarina também já estão avisados. A corrente está indo do Sul para o Norte, então é provável que apareça naquela região — afirma o tenente.
A Polícia Civil segue realizando diligências e procurando indícios do que teria de fato ocorrido, e aguarda o resultado das buscas.
A mulher de 26 anos que afirma ter jogado o próprio filho de sete anos no Rio Tramandaí depois de tê-lo dopado está detida no presídio de Torres. Conforme o delegado Antônio Carlos Ractz, a mulher detalhou como teria cometido o crime. A mãe contou ter dopado a criança com fluoxetina e depois colocado o corpo em uma mala na madrugada de quinta-feira (29). Em seguida, teria saído com a companheira da casa onde moravam, na área central de Imbé. Ela saiu puxando a mala com rodas e foi até o Rio Tramandaí, onde diz que retirou o corpo do menino e jogou na água. Ela afirmou não saber se ele estava morto quando jogou.
Depoimento da madrasta
No depoimento, a madrasta do menino conta que, horas antes do ocorrido, a companheira havia agredido a criança durante o banho com chutes, socos, tapas e empurrões. Ela ainda teria arremessado o filho contra a parede e, no choque, um azulejo chegou a quebrar. A mulher, presa neste domingo, contou que a agressão ocorreu após o menino ter fingido alucinações para que a mãe o levasse para o banho. A madrasta afirmou que pediu para a companheira parar, mas ela teria dito "que o filho era dela e ela sabia o que estava fazendo".
Depois, a criança teria sido trancada no guarda-roupa da pousada onde estavam hospedados. Quando ele saiu do local, as duas perceberam que o menino estava com toda a lateral direita do rosto até a orelha inchados. Além disso, o globo ocular estava roxo e enorme.
No dia seguinte, a companheira teria ido observar o filho no sofá e constatou que ele estava gelado. Ela, então, teria colocado mais cobertas no menino e tentado alimentá-lo com leite em uma seringa, mas não conseguiu. Ainda segundo a madrasta, durante todo o dia a parceira tentou alimentar a criança que não aceitou. A mãe teria ministrado, em dois momentos, Fluoxetina para o menino.
Já no final da noite, a mulher relatou que companheira teria ido novamente ver o filho e voltou dizendo "ele está sem respirar, olhos não estão sem mexendo, está morto!". Instantes depois, a mãe teria dito a companheira que estava no sofá do quarto: "fica aí que eu vou fazer tudo".
A madrasta afirmou à polícia que ouviu "estalos" que seriam dos ossos do menino sendo quebrados. Ela disse que viu apenas o pé da criança e que, logo depois, recebeu ordens da companheira para irem levar o corpo até o rio.
"Ela quebrou as mãos, pés, braços, joelhos e pernas para que a criança coubesse na mala", afirmou.
Na Barra de Imbé, a mãe do menino teria aberto a mala e virado na água, sem colocar qualquer peso para que o mesmo afundasse. Já no dia seguinte ao ocorrido, a mãe do menino teria desmontado o guarda-roupa onde o menino era mantido preso e, segundo ela, poderia ter provas de que a criança era mantida em cativeiro.
A madrasta do menino afirmou ao delegado Antônio Carlos Ractz que sofria ameaças da companheira, que tentou sair do relacionamento algumas vezes e que, inclusive sofria agressões físicas. A mulher disse ainda ser constantemente agredida, mesmo tendo um porte físico maior que a parceira, e que havia uma disputa entre a mãe e o filho.
A prisão da companheira da mãe do menino foi decretada na tarde deste domingo. O laudo psiquiátrico solicitado pela polícia confirmou que ela sofre de um leve grau de autismo, o que não impede de a mesma ser responsabilizada.
Fonte: Gaúcha ZH
Autor
Maira Kempf
Em: 02/08/2021, 05:37

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