Durante a coletiva, a promotora disse ter certeza que o crime não contou com a participação de terceiros. Também ressaltou que, ao longo da investigação, Alexandra tentou imputar a culpa em um dos irmãos – tio do garoto – e no pai, Rodrigo Winques.
— Temos convicção de que Alexandra agiu sozinha. Mesmo diante de crime bárbaro e impactante, ela pensava nela em primeiro lugar. Ela queria encontrar uma forma de que a responsabilidade saísse dela e fosse pra outra pessoa. O importante era ela não responsabilizada. Isso demonstra a personalidade dela. Frieza e dissimulação — relatou a promotora.
A denúncia por fraude processual ocorre porque em 23 de maio, quando ainda não havia admitido, em primeira versão, a morte do filho, Alexandra chamou um policial até sua casa para mostrar que um calendário estava com a data de 14 de maio circulada. A data coincide com a noite em que o menino desapareceu.
— Ela chamou um inspetor da polícia na casa dela, dando indicativo de que Rafael poderia ter assinalado aquela data sugestionando uma fuga. Isso aconteceu no sábado anterior à localização do corpo e demonstra como ela tentou inovar durante a investigação, trazendo elementos que ela sabia que não eram verídicos, com intuito de atrapalhar o trabalho da polícia — argumenta Michele.
Segundo a promotora, o somatório da pena mínima dos crimes atribuídos à mãe pode fazer Alexandra pegar pelo menos 14 anos e meio de detenção. A condenação máxima, somando todos os agravantes e qualificadoras, pode chegar a 42 anos de reclusão.
— É uma pessoa indiferente, que se satisfaz com a dor do outro. Pessoa preocupada com a dominação, é altamente sedutora porque conta várias versões a hora que quer. Tem um estilo de vida parasitário — afirmou o coordenador do Núcleo de Inteligência do MP, promotor Marcelo Tubino.
Contraponto
Em nota, a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do defensor público e dirigente do Núcleo de Defesa Criminal Andrey Régis de Melo, informa que a instituição aguardará o recebimento da denúncia do Ministério Público e a citação. A Defensoria salientou que ainda não foi possível conversar com a investigada sobre detalhes do caso penal, já que ela se encontra, desde 29 de junho, internada em um hospital da Grande Porto Alegre para tratamento de saúde.
*Gaucha/ZH