Uma ação da Polícia Civil localizou medicamentos roubados no Hospital de Caridade de
Ijuí, na sexta-feira (1º). Segundo a investigação, a carga foi roubada no interior de
Minas Gerais e comprada pela instituição para aplicar em pacientes em tratamento contra o câncer.
Dois funcionários do hospital — o coordenador do setor de compras e a diretora financeira — foram presos em flagrante por receptação qualificada. O delegado Tiago Baldin afirma que as detenções foram fundamentadas na "falta de zelo para verificação da procedência e acondicionamento". No sábado (2), segundo a polícia, os dois já tinham sido soltos.
O delegado diz que o uso dos medicamentos em pacientes em tratamento contra o câncer poderia colocar a vida de pacientes em risco, tendo em vista que são medicamentos que precisam ser refrigerados permanentemente em zero grau. Dos três lotes roubados, dois estavam no hospital, informou a polícia.
— São medicamentos que devem ser mantidos refrigerados. No momento em que foi roubado, não temos como saber se eles foram mantidos na qualidade necessária. Agimos rápido para evitar que o medicamento pudesse ser injetado em uma pessoa em tratamento. Poderia se transformar em um veneno — disse o delegado Baldin.
A denúncia sobre a compra de medicamentos roubados foi feita à Polícia Civil na quinta-feira (31). A polícia prefere não dar detalhes sobre quem a fez. A ocorrência dizia respeito a um roubo ocorrido em Muriaé, no interior de Minas Gerais, em 17 de outubro. A polícia conseguiu acesso à ocorrência da polícia do outro Estado e confirmou a versão.
Depois, com os números dos lotes em mãos, solicitou ao Judiciário um mandado de busca e apreensão no Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) para verificar no hospital se os lotes eram os que foram roubados. Com a autorização da Justiça, os policiais estiveram no hospital e dizem ter confirmado, pelos números dos lotes, que os medicamentos eram os mesmos retirados da farmacêutica em um roubo cometido por bandidos armados.
Foram apreendidas 100 caixas do medicamento e uma nota fiscal no valor de R$ 609 mil. Cada ampola, de acordo com Baldin, custa R$ 9 mil. A carga do caminhão estava avaliada em R$ 1 milhão.
Após a confirmação, a polícia deu voz de prisão aos funcionários responsáveis. Agora, o delegado quer verificar todas as compras recentes de medicamentos do setor de Oncologia, para verificar se houve outros produtos provenientes de roubo adquiridos pelo hospital. Sabe-se que quem repassou ao hospital foi uma distribuidora de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.
Baldin diz que não há indícios de participação de outras pessoas ligadas ao hospital, mas agora a investigação será ampliada.
Em nota, o hospital diz que está "envidando todos os esforços no sentido de demostrar a regularidade da operação de compra dos referidos medicamentos" e que "refuta qualquer tipo de insinuação sobre envolvimento da Instituição em roubo de cargas de medicamentos".
Confira a íntegra da nota do hospital:
"A Diretoria da Associação Hospital de Caridade Ijuí, foi surpreendida com o fato ocorrido, na noite de sexta-feira, quando a Polícia Civil esteve no setor de farmácia da Instituição, na busca de medicamentos, supostamente roubados no interior de Minas Gerais.
A Instituição está envidando todos os esforços no sentido de demostrar a regularidade da operação de compra dos referidos medicamentos. Ao mesmo, tempo a Diretoria da Casa Hospitalar se coloca à disposição das autoridades, para auxiliar nas investigações e refuta qualquer tipo de insinuação sobre envolvimento da Instituição em roubo de cargas de medicamentos, pois sempre fez as aquisições com respaldo legal, pautada em cotações públicas, visando o melhor preço e qualidade dos produtos, de empresas regularmente cadastradas.
Diretoria da Associação Hospital de Caridade Ijuí."
Polícia volta ao HCI
Na tarde de sábado, 02, a Polícia Civil de Ijuí realizou uma nova diligência ao Hospital de Caridade de Ijuí.
Segundo boletim de ocorrências, funcionários do HCI, que atuam no departamento de informática estariam nas dependências da casa de saúde carregando computadores dos setores de compras e financeiro.
Diate disso, pela urgência das medidas, a Polícia Civil solicitou acesso às dependências do hospital. No interior do HCI, a PC apreendeu CPUs, um pendrive e um notebook de propriedade da instituição e que estavam em uso pelos investigados.
A Polícia Civil acredita que, de um dos computadores tenha sido retirado um HD pela equipe de TI do HCI.
*Informações GaúchaZH/ Repórter Jânio Fernandes