Rádio Querência

Aumentam 70% os assaltos a postos de combustíveis

Aumentam 70% os assaltos a postos de combustíveis

O assassinato de um frentista ontem em Passo Fundo, no norte do Estado, expõe a crescente onda de assaltos a postos de combustíveis no Estado.

Só no ano passado, os ataques aumentaram 70% em comparação com 2011. Locais tidos como vulneráveis põem em risco a segurança de funcionários e clientes.

José Pedro Oraides Borges, 40 anos, foi morto na sua primeira semana de trabalho. É o segundo frentista assassinado no mesmo posto de combustíveis em dois anos. Ele foi atingido por volta da 1h de ontem, por um homem que estava em uma caminhonete S10, e morreu no local. A Polícia Civil investiga as hipóteses de tentativa de assalto e execução.

— Parecia cena de faroeste. O carro chegou com um homem armado na caçamba, que usava uma touca — contou o proprietário do posto, que preferiu não se identificar, após assistir as imagens das câmeras de segurança.

Em 2012, o Rio Grande do Sul registrou 564 ataques a postos, ante as 330 ocorrências de 2011, conforme a Secretaria da Segurança Pública. Os municípios com mais casos são Porto Alegre, Novo Hamburgo, Caxias do Sul, Passo Fundo e Pelotas (ver quadro). Para a polícia, os postos são visados por terem segurança frágil, funcionarem na madrugada e oferecerem rápidas rotas de fuga aos assaltantes.

— Poucos estabelecimentos têm guardas ou seguranças — observa o delegado regional da Polícia Civil de Porto Alegre, Cleber Ferreira, que na tentativa de barrar os crimes convocou uma reunião com outros nove delegados da Capital, pedindo prioridade na investigação das ações.

Segundo ele, o horário preferido dos ladrões é entre a meia-noite e às 4h e os locais mais procurados na Capital — que lidera o número de ocorrências no Estado, com 215 assaltos — são os localizados em grandes avenidas, pela rota de fuga facilitada. No Interior, segundo o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sergio Roberto de Abreu, os postos de combustíveis mais visados ficam na área urbana:

— Na maioria das ocasiões, o assalto ocorre nas lojas de conveniência — explica.

Ações são atribuídas a pequenos grupos

Tanto a Polícia Civil como a Brigada Militar atribuem os assaltos a pequenos grupos, interessados em realizar ações rápidas, e que usam o dinheiro dos roubos para comprar drogas. Segundo o delegado regional da Polícia Civil de Porto Alegre, Cleber Ferreira, a ação muitas vezes é semelhante: os assaltantes chegam em carros ou motocicletas e ameaçam os frentistas a entregar dinheiro. Quando o alvo é a loja de conveniência, os bandidos descem das motocicletas de capacetes, para que as câmeras de segurança não os identifiquem.

— São roubos rápidos, em que se leva pouco dinheiro e normalmente não envolvem agressão. O caso de Passo Fundo foi diferente — comenta o comandante-geral da BM, coronel Sergio Roberto de Abreu,

Diante da onda de assaltos, a Brigada Militar pretende contar com os comandos regionais para criar novos roteiros de patrulhamento noturno. A ideia, segundo Abreu, é rotas que passem diversas vezes pelos postos de combustíveis. Também devem ser realizadas, pelos policiais dos municípios, reuniões com os proprietários de postos de combustíveis, com objetivo de passar orientações de segurança específicas para os empresários do ramo.

Segundo frentista morto desde 2010

O dono do posto de combustíveis onde o frentista foi morto teme revelar sua identidade, mas não esconde a sua preocupação com a falta de segurança. Aos 35 anos, ele enfrentou o sexto assalto ao estabelecimento, localizado no Loteamento Professor Schisler, às margens da rodovia Passo Fundo-Pontão (ERS-324), nos últimos quatro anos.

— Estamos indignados, a sensação de insegurança está cada vez pior. Meus funcionários não podem pagar com a vida por dinheiro. Ninguém mais quer trabalhar à noite — lamenta.

Borges foi o segundo funcionário morto no posto de combustíveis. O primeiro caso foi na madrugada de 9 de setembro de 2010, quando o também frentista Gilmar Fernando Feroldi, 47 anos, levou dois tiros após abastecer uma motocicleta.

Na tentativa de barrar os ataques no local, o proprietário planeja fechar as portas no turno da noite, passando a trabalhar apenas das 6h às 22h. Abalado, também confessou pensar em contratar um segurança particular para o posto.

— Se isso acontecer, vou ter que demitir os funcionários que trabalham à noite. Vamos gerar desemprego por causa da violência — desabafa.

Siga as dicas

— Mesmo não sendo alvo dos assaltos, os clientes podem ser vítimas das ações. Abasteça nos horários de maior movimento, como o final da tarde e durante o dia.

— Antes de entrar nos estabelecimentos, observe se não há movimentação estranha, para não ser surpreendido durante um assalto.

— Como as lojas de conveniência são mais visadas pelos assaltantes, os proprietários devem retirar com frequência o dinheiro dos caixas. Prevenção evita grandes prejuízos.

— Funcionários e frentistas devem estar sempre em alerta para o movimento de veículos suspeitos ao redor dos estabelecimentos e informar a Brigada Militar.

— Nunca reaja.

Fonte: ZH

L

Autor

lccomunic

Em: 21/01/2013, 22:00