Sempre tratada como um dos pilares das campanhas eleitorais e dos programas de governo no Rio Grande do Sul, a educação patina e preocupa no Estado, que tem o pior desempenho da Região Sul.
Na quarta publicação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) desde 2005, o Estado não alcançou metas que haviam sido estabelecidas para 2011, principalmente no Ensino Médio, o patinho feio da educação no país.
Depois de desempacar do Ideb de 3,7, repetido em 2005 e 2007, para os 3,9 de 2009, o índice do Ensino Médio no Estado voltou ao patamar de seis anos atrás, os mesmos 3,7. Com isso, a meta planejada pelo Ministério da Educação para o Ensino Médio gaúcho ficou por terra. Deveria ter sido 4.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sociólogo Marcio da Costa diz que a baixa variação do Ideb no Rio Grande do Sul sugere uma estagnação. A pouca capacidade de investimento do Estado pode explicar parte dos problemas, mas a gama de fatores que influenciam negativamente o Ensino Médio é vasta. Passa pelo currículo defasado e pelos embates entre governo e professores.
— Eu esperaria que o Estado estivesse acima da média nacional. As metas do Ideb são modestas — diz Costa.
O Ideb é calculado a partir da combinação sobre o desempenho de estudantes nos exames Prova Brasil ou Saeb, combinadas com taxas de aprovação, reprovação e abandono. Responsável pelo Ideb, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) traça como objetivo ao país chegar ao índice 6 em 2021.
O secretário estadual da Educação, Jose Clovis de Azevedo, questiona a forma como o Ideb é montado no Ensino Médio, por meio de amostragem no terceiro ano, o que não formaria um panorama completo. Ele salienta que, apesar da queda no índice, houve uma pequena melhora na aprovação dos alunos no Estado.
— No ano passado, constatamos a situação crítica do Ensino Médio e iniciamos a discussão da proposta da reestruturação. Neste ano, começou a ser implantado no primeiro ano. Será implantado só em 2014 no terceiro ano. Portanto, a prova feita no Ensino Médio está completamente descolada desse processo — argumentou.
No Ensino Fundamental, o panorama também preocupa: nos anos finais, o Estado não atingiu a meta estabelecida pelo MEC. O Estado foi a segunda unidade da federação que ficou mais distante de suas metas no Ensino Médio estadual. À frente, somente Alagoas (Ideb de 2,6 para uma meta de 3,1). No ranking geral do Ensino Médio estadual, Alagoas é o último.
Na sua região, somente o Rio Grande do Sul patina. Santa Catarina é nada menos do que o líder do Ensino Médio do país, com Ideb de 4,3, dois décimos acima da meta e 0,6 ponto acima da média nacional. O Paraná é o terceiro, com Ideb 4 e meta de 3,9. Com essa paisagem, parece hercúleo o trabalho de transformar em cisne o patinho feio do Ensino Médio gaúcho.
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Rio Grande do Sul tem o pior resultado em educação no sul do Brasil
ZERO HORA
Autor
lccomunic
Em: 14/08/2012, 21:00

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