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RS será o maior produtor de Trigo neste ano
Com a chegada da chuva os produtores da região Norte do Estado já podem iniciar a semeadura do trigo, como preconiza o calendário, que vai de junho até o dia 20 de julho. Contudo, o chefe geral da Embrapa Trigo, Sérgio Roberto Dotto, salienta que para a região Noroeste o período da semeadura iniciou em maio. Já quanto à área a ser plantada no RS a expectativa é de um aumento de 6% a 7%, passando dos 930 mil hectares do ano passado para 980 mil hectares nesta safra.
Dotto justifica este aumento pelo grande sucesso que o cereal teve em 2011, com boa produtividade e qualidade. “Além disso, os produtores estão tentando recuperar os prejuízos que tiveram com o milho e a soja, causados pela estiagem no verão. E ainda, o Paraná que era o maior produtor de trigo do país reduziu mais de 20% a área plantada, pois naquele estado é possível cultivar o milho safrinha, pois não há ocorrência de geada, sendo mais vantajoso que o trigo”, assegura Dotto. Desta forma, as perspectivas para a produtividade são as melhores, como ele comenta, pois os produtores estão fazendo uso de boa tecnologia, apesar do preço do adubo ter aumentando mais de 20%, mas estão plantando na época certa e usando variedades muito produtivas. “A produtividade do Estado no ano passado foi recorde, com 2,9 mil quilos, com uma média de 50 sacas por hectare”, observa, constatando que uma boa adubação é muito importante, não apenas para o rendimento, mas para a obtenção de boa qualidade para a indústria.
Normativa e mercado. A partir de julho entrará em vigor a instrução normativa número 38, que elevou os padrões de qualidade das classes de trigo comercializadas, aumentando a força de glúten. Assim, Dotto lembra que o agricultor terá que fazer uma boa escolha das variedades de sementes que irá utilizar, não apenas levando em conta o rendimento, mas principalmente a qualidade do produto. “Porque, na hora da comprar o produtor terá um preço melhor ao comercializar o trigo pão, por exemplo, principalmente com os recursos do governo”, reitera. Entretanto, o analista de mercado da empresa Safras & Mercado, Michael Prudêncio, percebe que o produtor poderá ter problemas com estas exigências. “Para o trigo entrar nos leilões do governo ele terá uma exigência de qualidade maior e para o produtor isso é complicado, pois a geada é iminente e isso comprometeria a qualidade da safra, fazendo com que ele não consiga exportar com o subsídio do governo”, esclarece o analista.
Conjuntura internacional é positiva. De acordo com Prudêncio, a conjuntura do mercado internacional vem criando uma boa expectativa para os próximos meses na comercialização do trigo. “Estamos com um princípio de seca no hemisfério Norte, também na Austrália, que é um grande exportados de trigo e isso vem dando um suporte para o preço do cereal nas bolsas norte americanas, principalmente Chicago e Kansas. E como o Brasil é um grande importador, os preços no mercado interno são formados de fora para dentro”, explica ele, salientando que estas movimentações que ocorrem nas bolsas norte americanas são as referências para os próximos meses no mercado doméstico.
Além disso, a cotação do dólar tem auxiliado bastante, pois com a moeda a um patamar de aproximadamente R$ 2,00 acaba dificultando as importações e, consequentemente, favorece o trigo nacional. “Com um câmbio mais baixo, os compradores acabam adquirindo da Argentina e Uruguai que vendem a preços mais acessíveis devido ao baixo custo de produção e a isenção de impostos pelo Mercosul, além do cereal estrangeiro possuir mais qualidade”, observa. Mas, com a perspectiva de preços internacionais mais onerosos faz com que os olhos se voltem para o mercado interno.
Mesmo com uma possível redução na safra brasileira, que foi de 5,7 milhões de toneladas no ano passado e deve ficar em torno de 5,2 milhões de toneladas neste ano, Prudêncio destaca que o RS deve se consolidar como o maior produtor de trigo do país, justamente porque o Paraná está optando por plantar o milho safrinha nesta época. “A gente sabe que a comercialização do trigo é complicada, tanto que sempre precisa de auxílio do governo. Mas mesmo com esta migração e a redução da oferta, o governo anunciou o aumento do preço mínimo do cereal, garantindo para o produtor um preço um pouco maior no momento da comercialização”, informa Prudêncio.
O analista aposta em uma melhora na comercialização do produto, comparando ao ano passado, o que não significa que já está no ideal. Pois, a grande questão é que o trigo brasileiro enfrenta esta forte concorrência com o trigo da Argentina e do Uruguai. “Não temos uma competitividade maior porque é mais barato levar trigo da Argentina, por exemplo, para São Paulo, do que do RS para São Paulo, devido aos impostos que o Brasil possui”, finaliza. “A produtividade do Estado no ano passado foi recorde, com 2,9 mil quilos, com uma média de 50 sacas por hectare”, observa, constatando que uma boa adubação é muito importante, não apenas para o rendimento, mas para a obtenção de boa qualidade para a indústria.
Fonte: Diário da Manhã – Passo Fundo/RS
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lccomunic
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