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Empresas agrícolas podem sair da região
Ganha força a possibilidade de que pelo menos duas empresas do setor metal-mecânico para atendimento à área agrícola deixem a região. A AGCO, com representação da Massey Ferguson em Santa Rosa, e a John Deere, com atividades concentradas em Horizontina, poderão encerrar os trabalhos no Noroeste. Os motivos seriam a falta de incentivos do Governo Federal e a maior produção destinada à Argentina – justamente o destino destas empresas.
A preocupação com a situação levou uma comitiva da Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa (AMGRS) a ter uma reunião com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, para cobrar ações do governo. “É uma grande preocupação essa possibilidade, que me parece concreta, da AGCO e John Deere transferirem ou construírem novas plantas na Argentina”, disse o presidente da associação, Jorge Klöckner. “As indústrias dizem que não haverá redução da produção no Brasil. É necessário, por parte do governo, posicionamento mais forte contra a Argentina. Boicotam tudo o que possamos vender para eles e o governo não faz nada em represália. Diplomacia tem hora, tem momento”, complementou.
O problema também atinge a suinocultura. “Eu acho que a estiagem pesa na questão de produtos que compõem a cadeira alimentar”, disse Klöckner. Empresas deste setor também estariam planejando o encerramento de atividades no Rio Grande do Sul e a mudança para outros países. Em relação a isso, em uma tentativa de auxiliar os produtores locais, o presidente da associação sugeriu ao Governo Federal a busca de recursos em regiões com maior produção de alimentos para atender a demanda no Rio Grande do Sul.
Para o presidente, a suinocultura sofre um problema diferenciado. “É um processo que vai dois, três anos. A cadeia (alimentar) sofre prejuízos há nove meses”. Nas estimativas de Klöckner, 300 mil pessoas que vivem da suinocultura no Rio Grande do Sul estarão em risco com a debandada de empresas. “No momento em que se instalarem plantas industriais na Argentina, nós perderemos toda essa exportação e por consequência a produção no nosso Estado.”
As consequências para a situação que se apresenta evidentemente estão relacionadas à receita e geração de empregos. Segundo o presidente da AMGSR, até 40 empresas giram em torno da AGCO e da John Deere fornecendo peças para equipamentos. “Houve nos últimos anos uma migração de trabalhadores com mais qualificação a essas empresas e essas pessoas terão que retornar a seus municípios”. A John Deere, por exemplo, emprega hoje mais de duas mil pessoas. “Isso cria um problema social, sem dúvida alguma”, disse Klöckner.
Autor
lccomunic
Em: 22/05/2012, 21:00

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