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Fraude no Hospital de Caridade de Três Passos acontece há seis anos
Na última segunda-feira foi decretada, pelo prefeito Cleri Camilotti (PTB), uma intervenção temporária no Hospital de Caridade de Três Passos. A partir da medida, foi destituída a diretoria da entidade. A decisão ocorreu depois do início de uma investigação de fraude e desvio de dinheiro. A apuração do Ministério Público aponta que as irregularidades estariam acontecendo há seis anos.
Um comitê gestor formado por dois funcionários do hospital, dois médicos do corpo clínico e quatro funcionários municipais, foi designado para assumir a administração por 180 dias. De acordo com o MP, ainda é cedo para falar no valor desviado. Segundo o prefeito, a entidade tem uma dívida de pelo menos R$15 milhões.
O comitê deve dar condições para que se mantenha o atendimento da comunidade. Além de criar um novo estatuto para o hospital e elegerá nova diretoria. “A ideia é abrir as contas para facilitar o trabalho dos órgãos interessados em esclarecer a situação.” afirma o Prefeito.
Segundo relatos de funcionários, empresas da região forneciam notas fiscais em branco nas quais eram lançados bens nunca adquiridos pelo hospital. O ex-presidente Armindo Leonhardt, renunciou ao cargo na semana passada assim que o caso veio a público.
O administrador Jeferson Gomes de Oliveira teve o contrato rescindido pela diretoria. De acordo com testemunhas, ele teria conhecimento e era conivente com as irregularidades. Também está sendo investigado Amarildo Dall’Ago, antigo administrador do hospital. Ele dava assessoria à entidade e teve o contrato suspenso.
O vice-presidente do hospital Valcídio Reinheimer chegou a assumir a presidência interinamente e se disse surpreso com as revelações do Ministério Público. “Jamais imaginamos que pudesse haver qualquer irregularidade. É lamentável” disse Valcídio.
Uma equipe do Ministério Público foi designada exclusivamente para o caso. Desde a última sexta-feira, triplicou o número de pessoas dispostas a testemunhar. Segundo a promotora Aline Stefanello Segnor, pelo menos quatro empresas estariam envolvidas. “Ainda temos muito trabalho pela frente. É possível que aumente o número de envolvidos. Por enquanto, acreditamos que os demais integrantes da direção do hospital desconheciam o esquema_ diz a promotora.
O Hospital de Caridade de Três Passos é uma associação privada que recebe recursos dos municípios da região Celeiro, do Estado e da União. Do governo federal, seriam repassados ao mês, pelo menos, R$300 mil e das demais esferas outros R$500 mil mensais. Como o caso envolve verbas da União, o Ministério Público Federal será comunicado sobre o andamento do trabalho e a Polícia Federal deve auxiliar nas investigações.
Na quarta-feira a promotora concedeu uma entrevista aos veículos de comunicação do município. Aline Stefanello Segnor, disse que a cada dia surgem mais elementos, o que impede neste momento a confirmação de quantas pessoas estão realmente envolvidas e principalmente qual o montante de recursos que teria sido desviado. “Não consigo imaginar onde tudo isso vai parar” afirma.
Ela admitiu que num primeiro instante, tão logo recebeu as primeiras denúncias feitas por funcionários da casa de saúde, não imaginava que o caso era tão grave. Os indícios apontavam inicialmente para uma má gestão administrativa, porém, os documentos apresentados por servidores da instituição e depoimentos colhidos após a instauração do processo investigativo comprovaram que há realmente um significativo desvio de recursos. "Nos não tivemos dúvida desde o primeiro contato de que a irregularidade estava demostrada", disse a promotora.
A promotora informou que o administrador do hospital Jeferson Oliveira, antes de ser afastado do cargo, reconheceu em depoimento a existência de um esquema que desviava receitas do hospital tendo como principais beneficiados o presidente Armindo Leonhardt e o ex-administrador Amarildo Dall Ago. Aline disso que os dois ainda não foram ouvidos pelo Ministério Público. Leonhardt não foi localizado desde que renunciou o cargo e Dall Ago não chegou a ser procurado. Conforme Aline Segnor, ambos deverão prestar explicações direto em juízo. De acordo com a agente do Poder Judiciário, serão formuladas duas ações: uma em relação ao aspecto criminal e a outra civil, responsabilizando os acusados por atos de improbidade administrativa, isto por que a maioria dos recursos administrados pelo hospital tinha como origem repasses públicos feitos pela União, Estado e Municípios da região.
Aline revelou que o Ministério Público está trabalhando de forma ininterrupta no caso e já apurou que as fraudes eram praticadas há pelo menos cinco anos. Ela acredita que a intervenção feita pelo Município de Três Passos, que através de decreto municipal destituiu a diretoria atual e nomeou uma comissão provisória para comandar o HC, é positiva pois “franqueará o acesso aos documentos bem como possibilitará que os funcionários contribuam na elucidação de todos os fatos”.
ENTREVISTA COLETIVA: a Comissão Intervencionista Provisória do Hospital de Caridade de Três Passos anunciou que haverá nesta sexta-feira (11), uma entrevista coletiva para apresentar as primeiras informações sobre o início dos trabalhos. O encontro com a imprensa regional ocorrerá às 8h30min, no auditório do hospital. Os membros prometem prestar esclarecimentos sobre os fatos ocorridos durante a gestão anterior e sobre as ações que serão tomadas pela nova comissão para manter o hospital em pleno funcionamento.
A Comissão Intervencionista é composta por Edemar Niedermeier (Indicação Procuradoria Geral do Município); Dalmiro Volnei Silva (Indicação do Gabinete do Prefeito); Marlise C. S. Senger (Indicação da Secretaria Municipal de Finanças); Flávio Habitzroiter (Indicação Secretaria Municipal de Saúde); Leila Klein Bender e Rosangela Andréia Pinheiro (Indicação do corpo de funcionários do hospital), e Lauro Erni Borth e Silvio da Silva Neto (Indicação do Corpo Clínico do hospital).
Fonte: Zero Hora/Região Celeiro
Autor
lccomunic
Em: 09/05/2012, 21:00

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