Dois pacientes foram beneficiados com transplantes de córneas no Hospital de Caridade de IjuÍ(HCI)
Uma semana depois de realizar o tão sonhado transplante de córnea no olho esquerdo, a vendedora de seguros Angelica Daniela Posselt de 24 anos, moradora de Ijuí começa uma nova etapa de sua vida. Ela sofre de ceratocone, uma doença não-inflamatória degenerativa do olho. Ela estava na lista de espera por um transplante que somente ocorreu pela solidariedade de uma família de Condor, que mesmo na dor da perda de um jovem de apenas 18 anos, que no dia 7 deste mês, teve constatada morte cerebral depois de um acidente de moto, resolveu doar órgãos como rins, fígado, pulmão e as córneas.
"A família decidiu doar os órgãos devido a paciente ter manifestado em vida seu desejo de ser doador, pois entendeu que desta forma poderia ajudar outras pessoas que aguardam por um transplante. Foi um gesto nobre de amor ao próximo", avalia a coordenadora da Comissão Intra-hospitlar de doação de órgãos e tecidos para Transplante-CIHDOTT do Hospital de Caridade de Ijuí, assistente social, Maria do Camo Schumann.
No consultório da médica oftalmalogista Luciana Frizon, responsável pelo transplante, Angelica conta que já começa a sentir uma sensível recuperação da visão que antes se limitava a enxergar vultos. A médica ressalta que ainda é muito cedo para a paciente recuperar plenamente a visão , pois o processo deve demorar uns seis meses. " Até lá, vamos manter avaliações periódicas e com certeza após o processo de cicatrização, a recuperação da visão vai ser progressiva", avalia Luciana Frizon. Esse tipo de cirurgia é indicado quando existe a perda da integridade da córnea, opacidade central da córnea, curvatura anormal da superfície da córnea, que não possa ser corrigida por lentes de contato.
Segundo a médica, esta bonita história de solidariedade ainda é rara no interior gaúcho, prova disso, que somente 13 transplantes de córneas foram realizados no HCI em 2010. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, de cada 8 potenciais doadores, apenas um é notificado. Ainda assim, o Brasil é o segundo país do mundo em números de transplantes realizados por ano, sendo mais de 90% pelo Sistema Único de Saúde-SUS. A paciente considera o transplante um presente de natal antecipado e já faz planos. "Eu rezo todos os dias pela alma deste rapaz que me ajudou a realizar o transplante. Nos próximos dias, quero agradecer pessoalmente a família dele por este bonito gesto de solidariedade. A partir de agora ganho mais motivação para encarar novos desafios e poder fazer coisas que antes não podia, como dirigir carro", finaliza Angelica, emocionada.
Fonte e foto: RPI