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Reconstituição sobre morte de agricultor em ação da BM é concluída em Pelotas
A Polícia Civil e o Instituto-Geral de Perícias (IGP) concluíram por volta das 21h50min desta segunda-feira (18) a reconstituição da ação da Brigada Militar que terminou, na madrugada de 15 de janeiro deste ano, com a morte do agricultor Marcos Nörnberg, em Pelotas. A etapa foi realizada com base na versão apresentada pela família e integra a fase final do inquérito conduzido pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Os trabalhos começaram por volta das 20h no sítio da família, às margens da BR-392, na zona rural do município. Antes disso, a viúva de Marcos, Raquel Nörnberg, prestou depoimento à Polícia Civil no final da tarde.
Diferentemente da primeira etapa da reconstituição, realizada na semana passada com base nos relatos dos policiais militares envolvidos na ocorrência, a atividade desta segunda-feira foi mais curta e menos complexa. Havia expectativa de que os trabalhos avançassem pela madrugada, como ocorreu anteriormente, mas a simulação foi encerrada antes das 22h.
“Parece que foi ontem”
Após o término da reconstituição, Raquel falou sobre o impacto emocional de reviver a madrugada quando o marido morreu baleado dentro de casa durante a operação da BM.
— Parece que faz muito tempo, mas para mim foi ontem, sabe? Porque eu não consigo sair disso — afirmou.
Segundo ela, participar da atividade foi uma forma de contribuir para o esclarecimento do caso.
— O que me deu forças foi saber o propósito. O propósito era trazer a verdade à luz, apresentar a nossa versão do que aconteceu e contribuir para que o inquérito seja concluído da melhor forma possível — disse.
A viúva afirmou ainda esperar que a perícia consiga comparar tecnicamente as duas versões apresentadas ao longo das etapas.
— A gente espera que o Instituto-Geral consiga, a partir dessas duas simulações, chegar a uma conclusão sobre qual versão mais se aproxima da realidade, com base em dados técnicos, vídeos, relatórios e perícias — afirmou.
Passo a passo da ocorrência foi refeito
Durante a reconstituição, Raquel precisou refazer toda a dinâmica da madrugada, indicando posições, deslocamentos e movimentos realizados dentro da residência.
— Eu refiz todo momento, tudo o que aconteceu. Tinha alguém fazendo o papel do Marcos, e eu precisei mostrar o passo a passo, todas as posições em que fiquei e tudo o que ocorreu — contou.
Segundo ela, a condução da equipe pericial ocorreu de forma respeitosa.
— Hoje não foi fácil, foi bem difícil participar. Mas aconteceu de uma forma respeitosa. Percebi o cuidado do Instituto-Geral em me proteger e me dar o tempo necessário para fazer as simulações — afirmou.
A etapa ocorreu durante a noite após pedido da defesa da família. Na semana passada, a reprodução baseada na versão da viúva havia sido adiada após divergência sobre o horário do procedimento. Os advogados sustentavam que a atividade deveria ocorrer nas mesmas condições de iluminação da madrugada em que Marcos Nörnberg morreu.
Investigação entra na reta final
Com a conclusão das duas etapas da reconstituição, a expectativa da Polícia Civil é finalizar o inquérito nos próximos dias.
O caso completou quatro meses na última sexta-feira (15), prazo considerado acima da média para investigações deste tipo.
Marcos Nörnberg, de 48 anos, morreu baleado dentro de casa durante uma ação da Brigada Militar realizada em janeiro, na zona rural de Pelotas. Segundo a investigação, policiais buscavam suspeitos ligados a roubos de veículos e acreditavam que o sítio da família poderia estar sendo utilizado por criminosos.
De acordo com o inquérito, o agricultor teria confundido a movimentação com uma tentativa de assalto e efetuado disparos com uma carabina usada para defesa da residência. Em seguida, policiais do 4º Batalhão de Polícia Militar e do 5º Batalhão de Choque reagiram com tiros.
Paralelamente à investigação criminal, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar concluiu apuração interna apontando ausência de crime por parte dos policiais envolvidos, mas identificou falhas de planejamento e inteligência na operação. Cinco agentes foram responsabilizados administrativamente.
Fonte: GZH
Autor
Maira kempf
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