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Chance de El Niño se formar até julho sobe para 82% e acende alerta para chuvas excessivas no RS
Uma nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a agência climática dos Estados Unidos, elevou a probabilidade de formação do fenômeno El Niño e fortaleceu um alerta para o risco de um evento de forte intensidade, o que para o Rio Grande do Sul significa maior risco de chuvas excessivas.
A probabilidade de o fenômeno se formar até julho aumentou de 62% para 82%. Para o período a partir de agosto, a chance supera os 90%, chegando a quase 100% entre novembro e janeiro.
O novo relatório destaca que a chance de o El Niño ser "muito forte" se aproxima de 40% no fim do ano. Um evento é classificado com essa intensidade quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial ultrapassa os 2°C acima do normal.
Segundo a NOAA, o aquecimento já está em curso. A temperatura do Pacífico está atualmente quase 0,5°C acima da média, completando o sexto mês consecutivo de elevação. A tendência, segundo a agência, é que o aquecimento continue até o fim do ano.
Em 2024, a catástrofe climática vivida no RS foi resultado de uma combinação de fatores: um El Niño que atuava desde 2023, o aquecimento do Oceano Atlântico e a chegada de frentes frias. Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, o El Niño de 2026 tem potencial para ser de "forte a muito forte", com intensidade comparável à observada em 2023, e seus efeitos devem ser sentidos no inverno e, com maior preocupação, na primavera.
"Historicamente o aumento da chuva sobre o Sul do Brasil é mais preocupante na primavera, que já é uma estação quando normalmente se observam eventos de chuva intensos e até extremos nesta região", explica.
O que é o fenômeno El Niño?
O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul).
O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre em intervalos irregulares, geralmente a cada 2 a 7 anos. Ele é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5ºC das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de calor e umidade ao redor do globo, impactando os padrões de clima em diversas partes do mundo.
A La Niña é o oposto: um resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária, e tende a provocar estiagem no Sul.
No Brasil, os efeitos do El Niño são distintos: enquanto provoca secas nas regiões Norte e Nordeste, aumenta significativamente o volume e a frequência das chuvas na Região Sul.
A relação entre El Niño e eventos extremos no Sul do Brasil também aparece em um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, publicado em 2025 na revista científica Communications Earth & Environment. A pesquisa analisou 45 anos de dados de vazão de rios em 788 estações de monitoramento da América do Sul e concluiu que o fenômeno aumenta a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, região que abrange parte do território gaúcho.
Durante episódios de El Niño, a chance de enchentes nessa área pode crescer em até 160%. Os pesquisadores ressaltam, porém, que o El Niño não age sozinho. O estudo aponta que enchentes e secas dependem de uma combinação de fatores, como o comportamento da chuva, a umidade do solo, o nível anterior dos rios e outras condições meteorológicas.
Na prática, o fenômeno funciona como um amplificador do risco, e não como causa única de um desastre.
Outro dado importante é de que o impacto do El Niño pode aparecer de forma ainda mais intensa na vazão dos rios do que no volume de chuva. De acordo com o estudo, os sinais de precipitação extrema e de cheia costumam caminhar na mesma direção, mas as cheias apresentam amplificação maior.
Essa pesquisa reforça a avaliação de especialistas de que um novo episódio de El Niño exige atenção redobrada no Rio Grande do Sul, embora não permita prever, por si só, uma repetição da tragédia de 2024.
Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, ainda quando são considerados fracos ou moderados, aumentando o risco dos extremos (secas, enchentes e ondas de calor).
2006–2007: El Niño fraco a moderado.
2009–2010: El Niño moderado.
2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o novo episódio de El Niño exige atenção e preparação contínua, já que o fenômeno pode aumentar o risco de enchentes, mas não determina, sozinho, a repetição de uma tragédia como a de 2024.
Fonte: G1 RS
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Maira kempf
Em: 14/05/2026, 15:20

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