Rádio Querência

Polícia conclui investigação sobre morte de Edelvânia na prisão

Condenada por assassinato de menino, em 2014, foi encontrada morta em 22 de abril dentro do Instituto Penal Feminino de Porto Alegre
Polícia conclui investigação sobre morte de Edelvânia na prisão
Edelvânia recebeu sentença de 22 anos e 10 meses em julgamento realizado em março de 2019. Jefferson Botega / Agencia RBS

Pouco mais de um mês após Edelvânia Wirganovicz — condenada pelo assassinato do menino Bernardo Boldrini, em 2014,  — ser encontrada morta na cadeia, a Polícia Civil finalizou a investigação sobre o caso. 

Edelvânia foi localizada sem vida, com sinais de enforcamento, em 23 de abril deste ano, no Instituto Penal Feminino de Porto Alegre, onde cumpria pena no regime semiaberto. 

A apuração da 1ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre concluiu que não houve crime e nem a participação de outra pessoa na morte. Os detalhes do caso foram divulgados em coletiva à imprensa nesta quinta-feira (29). 

Segundo o delegado Gabriel Borges, na tarde de 23 de abril os policiais foram informados de que uma presa havia sido achada morta no pátio da unidade prisional. O corpo foi localizado por uma policial penal. 

Conforme o delegado, dentro da casa prisional, Edelvânia possuía certa liberdade em relação aos serviços que realizava, já que trabalhava na jardinagem. Em razão disso, tinha acesso a determinados locais em que poderia fazer essas atividades, e isso também permitia que manuseasse alguns equipamentos, como escadas, cordas, e outros materiais de jardinagem.

— Ela se enquadrava dentro do que no sistema prisional se chama de ambiente seguro, em razão do crime que cometeu. Ela não transitava livremente com outras detentas. Havia uma proteção, em razão de uma possibilidade de represália das outras detentas. Ela permanecia isolada com um número muito pequeno de detentas nesse chamado “seguro”. Quando ela exercia suas atividades laborais, de jardinagem, era com o número mínimo de detentas circulando no mesmo ambiente. Então, isso permitia que ela ficasse por muito tempo isolada, sozinha e com a liberdade para exercer o trabalho — detalhou.

Quando chegaram ao local, os policiais encontraram o cadáver num corredor estreito. Ao lado, havia uma escada portátil metálica. A partir disso, teve início a investigação com depoimentos e análises de imagens de câmeras de segurança. Foram ouvidos como testemunhas  presas, servidores e a diretora da unidade prisional.

A polícia coletou ainda imagens do videomonitoramento do instituto. os vídeos obtidos pela investigação mostram Edelvânia saindo sozinha para o pátio, depois transportando uma escada metálica em direção ao local onde seria encontrada morta.  

— Nós verificamos por inúmeras câmeras de segurança da casa prisional que ela, sozinha, vai até o local em que o corpo foi localizado, conduzindo uma escada. Então, ela vai até esse local, permanece por um certo tempo e, posterior, uma policial penal que está fazendo a fiscalização de rotina do ambiente visualiza a cena e, de pronto, solicita socorro, auxílio, das demais colegas. É feito ali um primeiro atendimento de tentativa de resgate, mas ela acaba vindo à óbito — disse Borges. 

Também foram analisados documentos disponibilizados pela unidade prisional. Paralelo a isso, o laudo da perícia descartou a possibilidade de qualquer lesão de defesa e apontou que a morte é compatível com suicídio. Após avaliar todos os elementos, a polícia concluiu o caso, descartando qualquer possível envolvimento de outra pessoa. 

— A investigação qualificada apontou o cenário completo do fato ocorrido na casa prisional. Não houve um crime. Houve uma situação infelizmente relacionada à própria pessoa — complementou o diretor do Departamento de Homicídios, delegado Mario Souza. 

Histórico

Edelvânia foi condenada a 22 anos e 10 meses de prisão pela morte do menino Bernardo em março de 2019. Em maio de 2022, Edelvânia Wirganovicz foi para o regime semiaberto. 

Em 2023, uma decisão do juízo da 2ª Vara de Execuções Criminais da comarca de Porto Alegre determinou que Edelvânia cumprisse pena em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica em razão da falta de vagas no sistema prisional.

No entanto, em 25 de fevereiro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a prisão domiciliar e determinou o retorno dela ao semiaberto. A decisão do ministro Cristiano Zanin atendeu uma reclamação da Procuradoria de Recursos do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Segundo o MP, Edelvânia não poderia receber o benefício de regime domiliciar porque teria 50% de pena pendente para cumprimento.

Fonte: GZH

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Maira kempf

Em: 29/05/2025, 11:24

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