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Instrutores de danças movem ação trabalhista de R$ 1,2 milhão contra CTG no RS

Dupla reivindica vínculo de emprego e direitos como horas-extras, férias e 13º salário. Em sua defesa, entidade alega que não tem fins econômicos e que casal tinha autonomia nas decisões.
Instrutores de danças movem ação trabalhista de R$ 1,2 milhão contra CTG no RS
Texto de ação trabalhista movida por casal de instrutores contra CTG no RS. — Foto: Reprodução

 

Uma ação trabalhista de R$ 1,251 milhão de um casal de instrutores de danças tradicionais gaúchas acendeu o sinal amarelo nas entidades tradicionalistas do Rio Grande do Sul. Eles pedem na Justiça vínculo de emprego com o CTG que dizem ter trabalhado por quase 30 anos.

Pela legislação, eventuais direitos somente podem ser reivindicados pelos cinco anos anteriores à ação. Procurados pelo blog, os instrutores não quiseram se manifestar.

O assunto é tratado com certa reserva, mas foi um dos temas de recente reunião de coordenadores regionais do MTG. O blog Repórter Farroupilha teve acesso à inicial do processo.

O vínculo do casal com o CTG teria começado em 1991. Na ação, eles alegam que, em 2001, davam aulas aos finais de semana no CTG, e recebiam R$ 600. Depois, em 2010, o valor passou a R$ 1,2 mil, sem ter carteira assinada. Sustentam ainda que o trabalho inicial era de duas horas semanais, mas que depois, o período passou a ser "imensamente superior", sem que eles tenham "recebido qualquer contraprestação", nem férias, 13º salário e adicional noturno.

O uso do veículo próprio para se deslocar ao trabalho também é citado na reclamatória. Os instrutores anexam cópias de posts nas redes sociais, com vitórias no Enart, o Encontro de Artes e Tradição Gaúcha, e viagens internacionais das quais participaram, bem como datas de ensaios desde 2017.

A entidade alegou à Justiça que o prazo de dois anos para os instrutores entrarem com a ação prescreveu, ou seja, venceu, pois foram desligados em 2019, mas só procuraram a Justiça do Trabalho em 2022.

Também sustenta que o MTG, em seus estatutos, diz não possuir "fins econômicos", conceito que também se estenderia às entidades filiadas (CTGs), sendo que os autores da ação tinham na dança uma "missão de vida" e não uma profissão.

Para afastar o vínculo de emprego, o que pressupõe uma relação de comando entre empregado e patrão, a entidade diz que o casal tinha total autonomia e que determinava os objetivos do grupo de danças, sem ingerência da patronagem.

Entidades tradicionalistas não costumam ter funcionários formais. Contam com voluntários, mas, ao longo dos últimos anos, o aumento do caráter competitivo de festivais provocou uma certa disputa por esses instrutores, sendo que uns passaram a ser mais requisitados que os demais.

Não demorou para que o setor sofresse uma certa "profissionalização", sendo que a maioria dos instrutores e coreógrafos passou a contar com essa renda para o seu sustento. É uma longa discussão.

 

Fonte: G1/ Por Giovani Grizotti

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redação

Em: 13/10/2022, 05:25

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