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ESPANHA| Vulcão nas Ilhas Canárias entra em erupção

Não há registro de nenhuma morte. Risco de tsunami após vulcão entrar em erupção é remoto na costa brasileira
ESPANHA| Vulcão nas Ilhas Canárias entra em erupção
Lava e fumaça sobem após a erupção de um vulcão na Espanha — Foto: REUTERS/Borja Suarez

 

Um vulcão entrou em erupção neste domingo (19) em La Palma, uma das ilhas do arquipélago espanhol Ilhas Canárias, lançando uma nuvem de fumaça e cinzas a partir do parque nacional Cumbre Vieja, no sul da ilha.

Na quinta-feira (16), já havia sido emitido um alerta amarelo de risco de erupção do vulcão, o que chegou a provocar inclusive o temor da formação de tsunamis que poderiam atingir a costa brasileira, principalmente o litoral setentrional, formado por Ceará, Rio Grande do Norte e nordeste do Maranhão. O risco, porém, foi considerado muito remoto por especialistas. (VEJA MAIS ABAIXO)

As autoridades já haviam começado a retirar os moradores enfermos e alguns animais de aldeias vizinhas antes da erupção, que ocorreu em Cabeza de Vaca, em El Paso, às 15h15 do horário local (11h15 no horário de Brasília), de acordo com o governo das Ilhas Canárias.

Antes da erupção, os cientistas registraram uma série de terremotos de magnitude 3,8 no parque nacional, de acordo com o Instituto Geográfico Nacional Espanhol (ING).

Logo após a erupção, o governo local pediu aos moradores que "tenham extrema cautela" e fiquem longe da área e das estradas.

De acordo com o prefeito Sergio Rodríguez, até o começo da manhã, a atividade forçou a retirada de cerca de 5.000 pessoas (entre elas, cerca de 500 turistas). A expectativa é que não seja necessário ampliar a evacuação. Não há registro de nenhuma morte. Estradas foram fechadas devido à explosão e as autoridades pediram aos curiosos para não se aproximarem da área.

A população das aldeias vizinhas foi instruída ainda a ir a um dos cinco abrigos, e soldados foram enviados para ajudar na remoção dos moradores. Espera-se que mais residentes sejam evacuados das cidades na região.

A televisão espanhola mostrou fontes de lava sendo lançadas, e nuvens de fumaça podiam ser vistas do outro lado da ilha. Enormes plumas vermelhas cobertas com fumaça preta e branca dispararam ao longo da crista vulcânica. Um fluxo de lava negra com a ponta em chamas deslizava em direção a algumas casas na vila de El Paso.

La Palma, com uma população de 85 mil habitantes, é uma das oito ilhas do arquipélago das Ilhas Canárias na costa oeste da África. No ponto mais próximo da África, está a 100 km do Marrocos.

 

Risco de tsunami após vulcão entrar em erupção é remoto na costa brasileira

Apesar dos alertas emitidos na semana passada, o risco de um cenário de forte atividade não se confirmou e a erupção verificada é considerada modesta. Autoridades não emitiram alerta de tsunami para qualquer parte do mundo associada ao vulcão.

O fenômeno, antes mesmo de ocorrer, levou a emissão de um "alerta amarelo de risco", o que chegou a provocar inclusive o temor da formação de tsunamis que poderiam atingir a costa brasileira, principalmente o litoral setentrional, formado por Ceará, Rio Grande do Norte e nordeste do Maranhão.

Especialistas brasileiros são unânimes ao afirmar que o evento não apresenta riscos para o Brasil.

 

A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) destacou que, mesmo após o início da ação eruptiva em La Palma, "o risco para o Brasil segue muito baixo" e que não houve nenhum alerta de tsunami. 

“Esse assunto foi discutido na mídia uns 20 ou 30 anos atrás quando foi publicado um trabalho de geólogos americanos sobre a possibilidade de desabamento de uma parte da ilha provocar um tsunami no Brasil", citou Marcelo Assumpção, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), em comunicado divulgado pela RSBR.

"Na época, a conclusão foi de que a probabilidade de que o deslizamento fosse suficientemente grande para provocar um tsunami perigoso era muito pequena”, explicou Assumpção.

 

Segundo Assumpção, para que um tsunami chegasse ao Brasil, a atividade vulcânica teria de ser excepcional para derrubar uma parte da Ilha provocando um deslizamento gigantesco em direção ao mar: “Teoricamente, o tsunami poderia ser bem grande.” Entretanto, a erupção vista em La Palma está muito longe dessas proporções.

 

Por sua vez, o professor Aderson Nascimento, coordenador do Laboratório Sismológico da UFRN, reforçou que a possibilidade de o fenômeno ocorrer (erupção com colapso de parte da ilha e da estrutura do vulcão) é muito baixa. “A atividade vulcânica na região das Canárias é comum e é monitorada", afirmou, também em esclarecimento divulgado pela RSBR.

"Na região do Atlântico não existe sistema de alerta porque o risco é baixíssimo”, disse o sismólogo. Ele ressalta, porém, que a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) tem capacidade de monitorar eventuais consequências da erupção caso houvesse ocorrido o pior cenário, que não se confirmou.

Sem risco e sem aviso

 

Carlos Teixeira, professor do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutor em oceanografia pela University of New South Walles, na Austrália, também ressalta que nenhum aviso de tsunami foi emitido.

“É um começo na verdade, mas a mensagem é a mesma: não há motivo para preocupação. Não há risco iminente de tsunami, não há nenhum aviso. Então, não se preocupem, a gente está monitorando, acompanhando as notícias, mas não há nenhum motivo para preocupação”, declara o professor.

 

“A probabilidade da gente ter um tsunami é muito pequena. E mesmo que a gente tivesse, nem todo tsunami é aquela coisa de filme, de 30 metros. Tsunami é uma onda que pode ter centímetros, que é o que acontece na maior parte das vezes, mas nem isso a gente tem no momento”, reforça Teixeira.

 

Segundo o pesquisador Saulo Vital, professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Coordenador do Núcleo de Estudos e Ações em Urgências e Desastres (NEUD), não existem estudos aprofundados com simulações, porém, devido ao formato da costa brasileira, a região do Nordeste se tornaria a região mais vulnerável, principalmente o litoral setentrional, formado por Ceará, Rio Grande do Norte e nordeste do Maranhão.

Alertas emitidos: estado de observação

 

O professor e pesquisador Saulo Vital explica que existem quatro níveis de alerta, o amarelo é o segundo nível, que trata-se, na verdade, de um estado de observação por causa dos pequenos sismos dos últimos dias. Foi este nível que acabou emitido na semana passada. O pesquisador afirma que o alerta é importante, mas não é dos mais graves.

Segundo ele, o que poderia causar uma tsunami seria uma erupção explosiva, ou seja, o desmoronamento de parte do vulcão. Isso porque, de acordo com ele, os sismos que costumam ocorrer na área do Cumbre Vieja são moderados, e o que pode gerar tsunamis são abalos sísmicos de alta intensidade.

 

Caso haja uma erupção capaz de desestabilizar a estrutura rochosa do vulcão, causando um desmoronamento, essa queda iria gerar um movimento de massas d’água. Esse movimento criaria altas ondas, que atingiriam toda a costa do Atlântico.

 

O coordenador do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Aderson Nascimento, também ressalta que nenhum alerta foi feito ao órgão.

“Essa chance é muito pequena de acontecer. A gente como órgão de sismologia, ninguém soube de nenhum alerta que foi emitido pelo serviço geológico espanhol ou algum órgão oficial dizendo que isso está acontecendo”.

 

Fonte: G1

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Autor

Maira Kempf

Em: 20/09/2021, 10:41