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Suspeito de participar de agressões, homem diz que fotografou menino para obter provas contra a companheira
Homem detido por suspeita de tortura e agressões contra uma criança de seis anos, filho de sua companheira, prestou seu segundo depoimento à Polícia Civil, em Canoas, na Região Metropolitana. Ele confirmou a veracidade dos crimes, que foram relatadas pelo menino, e incriminou a namorada. O casal foi preso na manhã desta quarta-feira (18).
Conforme o titular da Delegacia da Criança e do Adolescente de Canoas, delegado Pablo Rocha, o suspeito disse que viu o menino sendo amarrado em mais de uma oportunidade. Afirmou ainda que chegou a intervir nas agressões, para evitar que o garoto fosse sufocado.
— Ele afirmou que chegou a interromper o namoro, mas retomou o relacionamento para produzir provas do que vinha acontecendo com a criança— afirmou o delegado, que coordena a investigação.
O homem disse que contou a familiares próximos sobre as agressões e que esses realizaram a denúncia anônima ao Conselho Tutelar, que acionou a Polícia Civil. A alegação para o crime, segundo o delegado, seria o suposto mau comportamento do garoto, que estaria atrapalhando o relacionamento do casal.
Os agentes obtiveram o que consideram provas da tortura, como fotografias da criança amarrada na cama. Também ouviram o depoimento da própria vítima, que revela ter tido as mãos queimadas no fogão e ter permanecido por longas horas presa na cama, sem sequer poder ir ao banheiro.
Na ação desta quarta-feira (18), que culminou na prisão da mãe da vítima e do namorado dela, a polícia apreendeu roupas do menino, remédios supostamente utilizados para dopar a criança, além de lenços usados para amarrar a vítima na cama.
— A gente vê com grande preocupação o aumento de casos de agressão contra crianças. Acreditamos que a pandemia tenha piorado substancialmente o problema, já que as crianças estão sem contato com outras pessoas da família ou da escola. Gostaríamos de ter evitado a primeira agressão, mas chegamos antes da última, que poderia ter resultado na morte dessa criança — completa o delegado Pablo Rocha.
Operação
A mulher, de 28 anos, foi presa em casa, em Canoas, enquanto o namorado dela, de 24 anos, foi detido em Campo Bom, no Vale do Sinos. Em depoimento, os dois apresentaram versões opostas para os fatos. Por isso, segundo a polícia, novos depoimentos serão tomados. Por ora, somente o homem foi ouvido novamente.
Ele segue detido na Delegacia de Pronto Atendimento de Canoas, por falta de vaga em presídio, enquanto a mulher foi levada para a Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. O garoto está sob os cuidados do avô, assim como outra filha da suspeita. Ela ainda teria um terceiro filho adolescente, que vive com o pai.
A polícia obteve provas relativas a agressões cometidas nos últimos meses, através de depoimentos, fotos e conversas de WhatsApp entre o casal. Familiares e vizinhos serão intimados a depor nos próximos dias.
Fonte: Gaúcha ZH
Autor
André Motta
Em: 19/08/2021, 04:40

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