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Caso Bernardo: Madrasta diz que Bernardo morreu após ingerir por conta própria remédios para dormir
Em pouco mais de uma hora e chorando muito, a madrasta de Bernardo Boldrini – morto em abril de 2014 em Frederico Westphalen – Graciele Ugulini alegou que Bernardo morreu após ingerir alta dose “de medicamento para dormir”.
Ao ser questionada pela magistrada: - A senhora matou o Bernado?, Kelly – como era chamada - respondeu “Eu tinha programado de ir para lá (Frederico Westphalen) comprar essa televisão, a gente almoçou, estávamos todos na sala, o Leandro foi dormir, brinquei com a Maria e depois a empregada foi fazer ela dormir. Ele (Bernardo) pediu para ir junto”. “Logo pediu um remédio para enjoo, pois ele costumava passar mal e vomitar no carro. Dei um dramin para ele, a polícia nos atacou, eu recebi uma multa por excesso de velocidade, com isso o Be se agitou, eu tirei uma ritalina e dei para ele, ele tomou com água e continuou agitado, eu dei mais um para ele dormir, um midazolam, e ele não dormiu. E disse para ele tomar mais um e dei a minha bolsa para ele. Eu não conferi se ele tomou. Disse que ao notar que a criança estava morta pediu ajuda para Edelvânia (que estava com ela em Frederico Westphalen) para ocultar o corpo.
Disse que Edelvânia cavou o buraco com um “macaco de carro e uma outra ferramenta”, que tentou “ajudar, mas estava desorientada”. Disse que desconhece a soda cáustica encontrada sobre o corpo do menino. Negou que tenha oferecido dinheiro para ela lhe auxiliar. Sobre a receita médica com a qual foi comprado medicamento midazolam, Graciele disse: - eu não conseguia mais dormir, comprei para mim. Eu peguei a receita só com carimbo, eu falsifiquei a assinatura do Leandro. Alegou ainda que comprou em Frederico Westphalen porque não queria que ninguém soubesse que ela estava doente. “Eu não admitia que estava com depressão”.
Em inúmeras vezes citou que Leandro - com quem informou que nesses cinco anos só conversou uma vez, por carta - não tinha envolvimento com o crime: - Eu só quero o perdão dele! Também alegou que conheceu Evandro – também réu no processo – apenas nesta semana.
Chorando muito, narrou que sua relação com Bernardo começou a ter atritos quando ela engravidou de sua primeira filha. - Eu amava ele de verdade. Engravidei, tive um aborto, e muita coisa começou a mudar na nossa vida. Um ano depois eu engravidei de novo e o Leandro trabalhava muito, e aí isso me sobrecarregou. - Bernardo precisava atenção e eu não dava. - Meu medo era de perder ela (Maria), fiz de tudo só por ela, só para ela.
Após o interrogatório da magistrada Sucilene Engler, a defesa de Graciele orientou para que ela não respondesse nenhum questionamento do Ministério Público.
Graciele concluiu que nesses cinco anos de prisão, passou dois anos em uma cela totalmente isolada. Nesse período, tentou suicídio em duas ocasiões. Terminou dizendo: - Preciso que as pessoas entendam que foi um acidente, um estúpido de um acidente. Uma sucessão de erros, eu errei do começo ao fim. Tudo o que aconteceu não foi por querer, foi uma consequência.
Às 11h20min o interrogatório terminou. A próxima ré a falar será Edelvânia Wirganovicz.
Autor
lccomunic
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