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Recomendações pós geada

Recomendações pós geada

Efetivamente as últimas semanas têm sido marcantes e desanimadores para todos os produtores rurais, em razão dos eventos climáticos negativos que tem ocorrido em diversas áreas do nosso Estado. Há poucos dias atrás tivemos a ocorrência de um vendaval seguido de granizo, o qual liquidou lavouras de muitos produtores.

Exatamente uma semana depois, após o temporal, eis que todos nós somos pegos de surpresa com a ocorrência de uma geada no dia 26 de setembro. Embora seja realmente num período bastante tardio e pouco comum, já houve registro de geadas no final de setembro. De fato o produtor de modo geral desanima, em razão de que estamos vindos de uma grande frustração nas culturas de verão, de milho e soja, e o produtor efetivamente estava apostando na cultura de inverno, principalmente trigo e aveia, a fim de minimizar os prejuízos. Pertinente a isso as lavouras estavam apresentando-se em excelentes condições com boas perspectivas de produção, visto o bom nível tecnológico adotado.

Mas como está a situação das lavouras de trigo após o evento da geada ?

De maneira geral o comportamento de geada foi diferente nas regiões. Conforme as localidades houve maior ou menor intensidade, e dentro do mesmo município também ocorreram diferentes intensidades conforme o relevo e a posição de cada lavoura. Então, aquelas áreas como nas baixadas logicamente apresentaram temperaturas menores que nas partes mais elevadas.

Mas e em relação aos danos da geada, o que é possível fazer?

Em relação às aveias, podemos dizer que pelo avançado estágio que se apresentavam na ocasião, de maneira geral, não se percebe danos, até porque a planta possui boa tolerância à geada. Então, estão praticamente todas passando da maturação fisiológica.

Mas se pensarmos em trigo, os danos podem ser maiores, conforme o estágio no qual a planta se encontrava. É sabido de todos nós que nas fases iniciais até o emborracha mento, geralmente não ocorrem danos em trigo. Claro, depende também da intensidade, mas os danos mais expressivos ocorrem na fase de floração e enchimento de grãos. Geralmente nesta fase os danos são perceptíveis nas espigas em cerca de três dias. Quando a planta encontra-se no enchimento de grãos, principalmente no início, nesta fase de grão aquoso, os danos são percebidos com cerca de dois dias, ocorrendo a isoporização do grão. Em fases mais adiantadas, de leitoso a final de leitoso, cerca de três dias após se percebe o inchaço dos grãos, ou seja, ocorre a degradação das proteínas, quebram as cadeias de amido (polissacarídeos para monossacarídeos) transformando-se em água, ocorrendo o inchaço do grão.

Outro dano bem característico da geada é no colmo, ou seja, ao se puxar as espigas, as mesmas se desprendem facilmente da planta e é possível se perceber um anelamento no colmo onde houve a ruptura do vasos condutores de seiva.

Realmente evitar danos de geada não é simples, ao longo do tempo o produtor tem tomado medidas para evitar perdas, tais como época de plantio, escalonamento de plantio, ciclo de variedades, entre outras, além de fazer o seguro da lavoura.

Importante destacar que algumas medidas preventivas também podem ajudar em geadas de baixa intensidade, tais como a aplicação de alguns produtos que visam a aumentar a concentração de solutos na planta, fazendo com que a temperatura de fusão da solução diminua ainda mais, evitando assim o congelamento da solução extracelular. Os produtos recomendados são: potássio e cálcio.

Mas o que de fato se percebe nas lavouras de trigo?

Primeiramente aquelas lavouras mais próximas da floração, os danos foram maiores, e aquelas lavouras mais próximas do final do enchimento, os danos bem menores. De maneira geral, é muito difícil se quantificar em percentual as perdas que ocorreram, mesmo porque, visualmente os danos costumam aparecer melhor após a ocorrência de chuvas previstas, quando será possível visualizar melhor todos esses danos.

Mas além do trigo, tivemos danos expressivos na cultura do milho. Os danos ocorridos nessa cultura foram bastante intensos, em certas ocasiões irreversíveis, e em algumas outras situações ainda poderá ocorrer o rebrote.

Aquelas plantas de milho que se encontravam em estágios acima de 4 folhas, sendo que ocorreu intenso dano às plantas com morte de todas as folhas, o ponto de crescimento possivelmente encontra-se acima do nível do solo, ocorrendo seu congelamento e consequentemente o dano é irreversível. Diante disso só resta o replantio, ou aguardar o plantio de uma nova cultura, a soja.

Aquelas lavouras que se encontravam em estágios com menos de quatro folhas, o ponto de crescimento encontra-se ainda abaixo do solo. Nessa situação ainda ocorre o rebrote, logicamente que não de 100% das plantas. Nesse caso, mesmo que ocorra a emissão de novas folhas, devemos lembrar que existe uma perda de potencial produtivo, que normalmente é em torno de 15 a 20%.

Para minimizar essa perda pode-se aumentar as doses de N em cobertura, além da utilização de produtos a base de aminoácidos (ácido glutâmico). Aquelas lavouras que apenas receberam uma chamuscada nas folhas o uso de produtos anti-stressantes (bioativadores) ajudam na recuperação.

De maneira geral para trigo os danos maiores surgirão após as chuvas, sendo que as situações são individuais de cada um, e diante da necessidade deve-se encaminhar o Proagro ou o seguro agrícola.
Mais informações junto ao Departamento Técnico da sua Unidade.
Osmar Lohmann – Engenheiro Agrônomo da COTRIJUI

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lccomunic

Em: 30/09/2012, 21:00

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