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Sequência de ataques com ácido contra mulheres choca Colômbia
O número de ataques com ácido contra mulheres tem aumentado na Colômbia, colocando o país ao lado de nações como Paquistão e Bangladesh, famosos pela violência contra a mulher. De acordo com o jornal britânico Daily Mail, pelo menos 250 mulheres sofreram desfiguradas por ataques com ácido na Colômbia nos últimos três anos. Nos primeiros meses de 2012, as estatísticas desse tipo de ataque já havia superado o ano inteiro de 2011.
Em entrevista à rede britânica BBC, a colombiana Viviana Hernandez, de 28 anos, contou como está a situação das mulheres atacadas em seu país.
— Nós sabemos que muitos casos não foram registrados, pois as mulheres são ameaçadas e têm medo.
Viviana foi atacada há cinco anos e, até hoje, carrega as marcas das queimaduras em seu rosto, peito e mãos. Com o ataque, Viviana perdeu a visão de seu olho esquerdo.
A colombiana acredita que o ataque foi planejado por seu ex-marido, após ela se recusar a voltar com ele. Segundo ela, o homem contratou as pessoas que a atacaram.
— O objetivo é machucar, não matar. É machucar para o resto da vida.
Maria Fernanda Nuñez, Miss Colômbia, também foi atacada, quando tinha 22 anos. Maria foi surpreendida perto de sua casa, em Cucuta, ao voltar de ensaio para um de seus desfiles.
Na ocasião, a polícia local afirmou que sabia quem tinha ordenado o ataque mas que não poderia efetuar nenhuma prisão, pois a lei do país exige que a vítima fique em recuperação por 30 dias antes do andamento do caso.
Maria sofreu queimaduras em seu rosto, olhos, em seu tronco e pernas.
A onda de ataques com ácido fez com que as autoridades mudassem as leis do país, aumentando a pena para os responsáveis pelos ataques. Antigamente, a pena ia de seis meses a dois anos de prisão. Hoje, a sentença máxima pode chegar a 20 anos.
Consuelo Cordoba, de 51 anos, lembra-se do ataque que sofreu há 11 anos. Até hoje, Consuelo tem que usar uma máscara para se proteger contra infecções e um tubo para conseguir respirar pelo nariz.
Assim como muitas vítimas de ataques do gênero, Consuelo não consegue encontrar um emprego, graças a sua aparência.
— Já pensei em cometer suicídio. Pensei nisso pelo menos três vezes. Me perguntei “por que viver? Com uma vida assim, pra quê?”.
Eu tinha dentes perfeitos. Eu era muito bonita... mas agora, estou destruída.

Consuelo Cordoba, que até hoje sofre com os ferimentos que adquiriu ao ser atacada com ácido. Créditos: Getty Images
Gloria Piamba, de 26 anos, também faz parte do grupo de colombianas atacadas com ácido. Gloria não consegue encontrar um trabalho em Bogotá, mesma cidade onde sofreu o ataque, feito pelo ex-namorado.
Usando uma máscara na boca, um curativo em um de seus olhos e um tubo para respirar, Gloria disse, em entrevista à Reuters:
— Quem irá me oferecer um trabalho, com essa aparência?
Gloria tem um filho de seis anos que, segundo ela é a “razão pela qual ela está viva”.
— Eu não poderia deixar ele viver sozinho — diz Gloria, que admite ter cogitado se suicidar.

Erika Vanegas, de 20 anos, também sofreu queimaduras por ácido. Assim como a maioria das vítimas, Erika foi atacada pelo ex-namorado. Créditos: Getty Images
Autor
lccomunic
Em: 06/08/2012, 21:00

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