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Sal em excesso e pouca ingestão de água elevam casos de cálculo renal no verão
O maior companheiro dos gaúchos pode ser o pior inimigo para os rins. A combinação de carne vermelha, gordura e sal em excesso é a associação perfeita para a formação de cálculos renais. E o cenário só piora. Até a cervejinha está condenada. Uma pesquisa realizada pela secretaria da Saúde de São Paulo comprovou que o número de pedras nos rins aumenta em 30% no verão. E o trio acima seria o grande responsável. Prejuízo potencializado pela ingesta hídrica menor do que a perda de líquido que o organismo é submetido no calorão.
— Este é um problema de hábito, que no Sul, é bem comum. Durante o inverno frio as pessoas urinam bastante. A perda de líquido é feita quase que só pela urina. Só que no verão a desidratação é maior, ocorre pelos poros. A quantidade de líquido ingerida deveria ser dobrada, mas isso não ocorre — explica o urologista Joaquim de Almeida Claro, responsável pela pesquisa paulista.
A água dilui a urina e evita que haja precipitação de cristais, formando cálculo. O urologista costuma comparar o rim a um copo de água com açúcar: uma colher pequena é dissolvida e desaparece em um copo cheio de água. Em compensação, uma grande quantidade do alimento em pouca água faz com que os cristais se concentrem no fundo do copo.
É por isso que os especialistas medem um rim saudável pela quantidade de urina dispensada ao longo do dia. Mas, se a grande sacada é urinar em demasia e a cerveja provoca essa reação no organismo, por que ela é considerada prejudicial?
Elizete Keitel, nefrologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, explica que a cerveja é a bebida alcoólica mais prejudicial para os rins. Apesar de inibir o hormônio que impede o descontrole urinário, favorece a concentração de ácido úrico e isso ajuda a formar cálculos. E não raro, essas pedras teimam em se desprender do rim e navegar em direção à bexiga. Dependendo do tamanho, podem trancar no meio do caminho em uma região chamada de ureter, resultando em cólica renal.
Quem já experimentou esse tipo de dor relata ser insuportável. Nenhum analgésico é capaz de aplacá-la e o paciente, na maioria das vezes, necessita de ajuda médica para receber o alívio intravenoso. Os médicos salientam que a maior parte dos indivíduos tem apenas um evento desses na vida. Entretanto, se o problema repetir ou se houver histórico familiar de doença renal, recomenda-se que seja procurado auxílio médico para a realização de exames e o descarte de complicações renais.
As doenças renais crônicas, que podem levar à perda do órgão são, em geral, nefrites (inflamação nos rins), nefropatia hipertensiva (doença renal por pressão alta) e nefropatia diabética (por diabete). O cálculo renal e as infecções urinárias também são doenças nos rins, mas não levam à insuficiência renal, com exceção para os casos associados à infecção severa. As doenças renais crônicas aumentam em até 10 vezes o risco de problemas cardiovasculares.
Hidratação é a solução
Por ser o filtro no nosso organismo, os rins recebem cerca de 1,2 litros de sangue por minuto, ou seja, cerca de um quarto do sangue bombeado pelo coração. Sendo assim, todo o sangue de uma pessoa é purificado em torno de 12 vezes por hora. Para que o alimento seja diluindo, evitando os cálculo, é necessário tomar muita água. No Rio Grande do Sul, o problema é ainda maior. Durante o inverno as pessoas estão acostumadas a tomar uma certa quantidade de líquido. Quando o calor começa e o suor invade os corpos, eliminando boa parte dessa água pelos poros, não é aumentada a quantidade de água tomada. Aí reside o problema.
Cínthia Vieira, vice-presidente da Sociedade Gaúcha de Nefrologia, desconhece estatísticas afirmando que os cálculos renais nos gaúchos aumentam 30% no verão, mas garante que essa é uma observação feita por ela ao longo dos anos em que atua como nefrologista:
— Pense em um dia bem quente, daqueles em que se transpira bastante. Não é raro perceber que a urina torna-se mais escura e densa, criando o cenário ideal para a formação dos cálculos.
Saiba mais sobre CÁLCULO RENAL
SINTOMAS
— Dor nas costas, na altura da cintura.
— Em geral, se inicia com um desconforto e vai aumentando até que nenhum analgésico de uso oral seja capaz de aliviar.
— Nos homens, há também muita dor nos órgãos genitais.
— Náusea e vômito.
— Ardência para urinar, com sangue em alguns casos. E o aumento na frequência das idas ao banheiro.
— Muitas das pedras podem ser comparadas com uma roseta. Ou seja, por onde passa deixa o local machucado. Por isso, a urina pode vir acompanhada de sangue.
O QUE OCORRE
— A pedra se forma no rim e vai descendo em direção à bexiga. Ela pode entupir em qualquer lugar, causando acúmulo de urina acima da obstrução. O rim começa a ser distendido, causando a dor.
— Depois de tanta pressão provocada pelo rim lotado de líquido, o cálculo vai indo em direção à bexiga. A dor é provocada quando as pedras passam pelos tubos que ligam os rins à bexiga.
— A maioria das pedras é expelida naturalmente. Cerca de 20% dos casos precisam de intervenção.
QUEM PODE TER
— Os cálculos renais podem afetar qualquer pessoa, principalmente as que já têm predisposição genética.
— 24% da população apresenta maior pré-disposição para formar cálculo.
PREVENÇÃO
— Evite comer carne vermelha e sal em excesso. A combinação aumenta a produção de oxalato de cálcio no organismo.
— Não deixe para beber água apenas quando sentir sede. Tome de dois a três litros de água diariamente durante o verão. Metade da quantidade deve ser de água, e o restante é liberado para frutas ricas em água, como melancia, sucos cítricos de laranja e limão, e chás.
— Se ficar muito tempo exposto ao sol ou calor, aumente a dose.
— Maneire na cerveja. Apesar de atuar no organismo estimulando a produção de urina, é a bebida alcoólica que mais produz ácido úrico, favorecendo a formação das pedras.
DICA ZH
O chimarrão, bebida consumida em grande quantidade pelos gaúchos, entra na cota dos chás. Não substitui a quantia diária recomendada de água.
CADERBNO VIDA - ZH
Autor
lccomunic
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