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Câmara aprova projeto que prevê fornecimento gratuito de sensores de glicose para crianças e adolescentes em Santo Augusto
Neste que é o mês oficial de conscientização sobre o diabetes, com destaque para o Dia Mundial do Diabetes em 14 de novembro, a Câmara de Vereadores de Santo Augusto aprovou por unanimidade, durante sessão realizada na última terça-feira (3), o Projeto de Lei nº 103, que autoriza o Poder Executivo Municipal a fornecer gratuitamente sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças e adolescentes com Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1).
A iniciativa teve origem na Indicação nº 19/2025, apresentada pela vereadora Ivanete Batista (PDT), após ser procurada por mães de crianças com diabetes, que relataram as dificuldades enfrentadas na rotina de tratamento e a importância de ampliar o acesso à tecnologia. A demanda foi acolhida pela Administração Municipal, que encaminhou o projeto de lei para apreciação do Legislativo.
A vereadora informou à reportagem que também pretende destinar recursos por meio de emenda impositiva para contribuir com a implantação da iniciativa. Segundo ela, será criado um grupo de mães para fortalecer a divulgação da proposta e ampliar o diálogo com as famílias que poderão ser beneficiadas.
“Acredito que nosso papel como representantes da comunidade é justamente ouvir as pessoas, compreender suas necessidades e buscar caminhos para melhorar a vida delas”, destacou Ivanete.
Com a aprovação na Câmara, o projeto segue agora para sanção da prefeita municipal. Depois dessa etapa, deverão ser iniciados os trâmites para a destinação dos recursos e a aquisição dos sensores por meio de processo licitatório.
Conforme o texto do projeto, o benefício será destinado a moradores de Santo Augusto com diagnóstico de diabetes tipo 1, com idade entre quatro e 17 anos. Para ter acesso aos sensores, será necessário apresentar documentação que comprove o diagnóstico, além de laudo ou receita emitida por profissional habilitado, indicando a necessidade de utilização do equipamento. Um primeiro levantamento, realizado com base nesses critérios, identificou seis pessoas que poderão ser beneficiadas com a iniciativa.
Tecnologia oferece mais segurança e qualidade de vida
Em conversa com a reportagem, a santo-augustense Laís Cavalheiro Rigo, mãe de Caetano, que recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 aos quatro anos, explicou a importância do monitoramento contínuo da glicose e os benefícios que a tecnologia proporciona às famílias.
O sensor é um pequeno dispositivo aplicado, geralmente, na parte posterior do braço. Por meio de um filamento inserido sob a pele, realiza leituras da glicose no líquido intersticial. As informações são transmitidas para um leitor ou diretamente para o celular, permitindo acompanhar os níveis de glicose praticamente em tempo real. Dependendo do modelo, o dispositivo pode permanecer em funcionamento por até 15 dias. O valor de cada sensor varia em torno de R$ 300. Já o leitor, adquirido apenas uma vez, custa aproximadamente R$ 400.
Uma das principais vantagens é a redução da necessidade de realizar várias medições diárias por meio das tradicionais picadas na ponta dos dedos. O sistema também permite acompanhar as oscilações da glicose durante a noite, nas atividades físicas e entre as refeições.
Outro benefício são os alarmes, que podem avisar quando os níveis de glicose estão muito baixos (hipoglicemia) ou muito elevados (hiperglicemia), possibilitando que o paciente ou seus responsáveis tomem providências com maior rapidez.
Laís também explicou a diferença entre os dois principais tipos de diabetes e compartilhou um pouco da rotina de cuidados do filho:
“É importante compreender que existem diferenças entre o diabetes tipo 1 e o tipo 2. No DM1, o próprio sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Por isso, o organismo deixa de produzir insulina em quantidade suficiente, e a insulinoterapia é indispensável para a sobrevivência. Já no DM2, geralmente existe uma resistência à ação da insulina e uma deficiência progressiva na sua produção, e o tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em alguns casos, insulina.
No caso do Caetano, a insulina faz parte da nossa rotina todos os dias. São várias aplicações diárias, que podem chegar a seis ou mais, dependendo da necessidade e do esquema de tratamento. Somadas às medições tradicionais na ponta dos dedos, são muitas picadas ao longo do dia. Agora, imaginem isso na vida de uma criança!”, relata Laís.
Laís, que é professora, alerta para a importância desse acompanhamento, especialmente na prevenção de complicações relacionadas às alterações da glicose.
“Uma hipoglicemia grave pode provocar confusão mental, perda de consciência, convulsões, coma e até levar ao óbito. Já a hiperglicemia persistente, quando não controlada, pode causar complicações importantes ao longo do tempo, comprometendo os sistemas cardiovascular e renal, a visão e outros órgãos”, explica.
Ela reforça que o monitoramento vai além de acompanhar os números apresentados pelo dispositivo.
“Monitorar a glicose não é apenas acompanhar números em uma tela. É prevenir complicações, orientar o tratamento e proporcionar mais segurança para quem convive com a doença”, destaca.
Laís também ressalta que, no caso das crianças, a tecnologia representa mais autonomia e segurança, inclusive no ambiente escolar. Além disso, os registros gerados pelo dispositivo permitem que os profissionais de saúde acompanhem o comportamento da glicose e avaliem possíveis ajustes no tratamento.
A professora lembra ainda que o sensor não elimina completamente a necessidade de medições tradicionais, que podem continuar sendo necessárias em determinadas situações, conforme a orientação da equipe de saúde e do fabricante.
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Acesso ainda é um desafio para as famílias
Apesar dos benefícios, o custo dos sensores representa uma dificuldade para muitas famílias, já que os dispositivos precisam ser substituídos periodicamente e nem sempre estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, existem inúmeros outros custos associados ao diagnóstico de diabetes.
Para Laís, ampliar o acesso a essa tecnologia significa oferecer melhores condições de tratamento, reduzir o desconforto das crianças e proporcionar mais tranquilidade aos familiares.
A proposta aprovada em Santo Augusto representa um passo para ampliar o acesso ao monitoramento contínuo da glicose entre crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 no município.
“Defender o fornecimento dos sensores pelo SUS é defender a saúde pública, a prevenção, a dignidade e a igualdade de acesso. Não estamos falando de luxo, mas de uma tecnologia que oferece mais segurança, autonomia e melhores condições para o controle de uma doença que exige cuidados durante as 24 horas do dia, todos os dias”, destaca Laís.
Autor
Maira Kempf
Em: 05/11/2026, 13:56

Três das quatro vítimas eram naturais de Santo Augusto. A família havia participado do velório de Franklin Santos da Silva, pai de Michele, que morreu no dia 2 de novembro, no Hospital Bom Pastor.

Recurso será aplicado na aquisição de equipamentos para qualificar os serviços de saúde e ampliar a capacidade de atendimento à população.

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Projeto de lei foi aprovado por unanimidade na Câmara de Vereadores. Proposta prevê a disponibilização gratuita dos dispositivos para pacientes de 4 a 17 anos; próxima etapa é a sanção da prefeita e a organização dos procedimentos para aquisição.

Três das quatro vítimas eram naturais de Santo Augusto. A família havia participado do velório de Franklin Santos da Silva, pai de Michele, que morreu no dia 2 de novembro, no Hospital Bom Pastor.




