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Inquérito responsabiliza sete policiais militares por homicídio de produtor rural em Pelotas

Perícia técnica desmente hipótese de legítima defesa e aponta erro de endereço em operação armada que resultou na morte de Marcos Nörnberg
Inquérito responsabiliza sete policiais militares por homicídio de produtor rural em Pelotas
Reprodução/RBS TV

A Polícia Civil concluiu as investigações sobre a abordagem policial que tirou a vida do agricultor Marcos Nörnberg e indiciou sete policiais militares por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, e tentativa de homicídio contra a esposa da vítima. O crime ocorreu em janeiro, na zona rural de Pelotas, durante uma operação equivocada da Brigada Militar. Entre os indiciados, quatro agentes que executaram a ação direta responderão como coautores, enquanto outros três integrantes do setor de inteligência foram enquadrados como partícipes por repassarem informações incorretas que levaram a equipe a errar o endereço do alvo por mais de dois quilômetros.


A conclusão do inquérito baseou-se no laudo pericial da reprodução simulada e em análises acústicas realizadas pelo Instituto-Geral de Perícias. Os dados técnicos desmontaram a versão apresentada pelos agentes de que teriam agido em legítima defesa após o morador efetuar disparos. O laudo comprovou que os policiais dispararam 14 vezes com fuzis antes de qualquer reação da vítima, cujo único tiro com uma carabina ocorreu quase meio minuto após o início do ataque das forças de segurança. A gravação do sistema de monitoramento da propriedade registrou ao menos 18 disparos no momento em que o produtor rural saiu para verificar a movimentação em seu pátio.


Na época, a própria liderança da Brigada Militar reconheceu a ocorrência de um grave erro operacional decorrente de pistas falsas ou imprecisas repassadas por criminosos capturados em outro estado. Embora uma apuração interna da corporação militar tenha inicialmente descartado crime sob a jurisdição especializada, o Ministério Público contestou a decisão e solicitou novas apurações no âmbito militar. O inquérito conclusivo da Polícia Civil foi formalmente entregue ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para a continuidade do processo penal.

B

Autor

Bruno Vargas

Em: 10/09/2026, 06:12

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