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Calor e pouca chuva: início do outono no RS segue com cara de verão
A estação que começa nesta sexta-feira (20) não deve entregar alívio imediato a quem esperava o fim do calor: os primeiros dias do outono tendem a repetir o padrão típico do verão, com temperatura elevada e abafamento.
Especialistas afirmam que a tendência é de que o quadro perdure, pelo menos, nos primeiros dois meses, com a continuidade do padrão de chuva irregular.
Atualmente, o Rio Grande do Sul está em neutralidade climática, situação que deve se manter até o fim da estação. No segundo semestre, porém, cresce a probabilidade de formação de um novo El Niño.
O evento costuma trazer chuvas mais frequentes e intensas ao Sul do Brasil. Contudo, enquanto não se instala, o outono segue mais seco.
Manutenção de um padrão irregular
Conforme o meteorologista Glauber Ferreira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), de abril até o fim de junho são esperados volumes de precipitação abaixo da média na maior parte do Rio Grande do Sul.
— Há uma probabilidade mínima de 50% de que a chuva fique cerca de 50 milímetros abaixo da média esperada para o período. O que se mostra, na verdade, é um outono mais seco e mais quente no Rio Grande do Sul — aponta o especialista.
O professor Julio Marques, do curso de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), lembra que a irregularidade da chuva será um dos destaques.
Para o especialista, os primeiros meses devem manter essa característica de menos chuva, como foi observado durante o verão. À medida que avança, as ocorrências tornam-se mais frequentes.
— Vai continuar com a cara do verão. Não é que não vai chover. As chuvas vão começando a ocorrer um pouquinho mais, mas ainda abaixo do que seria um padrão normal. Essa normalização deve ocorrer pelo inverno — cita.
Não estão descartados episódios de chuva mais intensa. Isso porque, nessa época, começa a aumentar a frequência de frentes frias e a formação de ciclones extratropicais, que podem gerar eventos localizados de maiores acumulados.
Outono um pouco mais quente
Alguns modelos ainda divergem quanto ao comportamento da temperatura ao longo da estação. O meteorologista Daniel Caetano, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica que, com a menor ocorrência de chuva, a tendência é que o período registre índices próximos ou um pouco acima do habitual.
Ao mesmo tempo, ele destaca que não se descarta a ocorrência de fenômenos típicos do inverno, como a entrada de massas de ar frio no Estado e a formação de geadas. A Climatempo também aponta a possibilidade de episódios de frio intenso na segunda quinzena de maio e ao longo de junho, reforçando a variabilidade típica do outono gaúcho.
Esse cenário mais aquecido é corroborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia:
— Existe uma probabilidade mínima de 70% de temperaturas acima da média. No caso do Rio Grande do Sul, os registros podem chegar até 2ºC acima da média.
Nesse início de outono, as temperaturas permanecem elevadas. É importante considerar que, nessa época do ano, há menor incidência de radiação solar em comparação ao verão — período naturalmente mais quente. Por isso, mesmo sem o calor extremo típico dos meses anteriores, o aquecimento atual tende a ser sentido como acima do esperado.
— Nas próximas semanas, a temperatura máxima vai seguir na casa dos 30ºC. Conforme for evoluindo para o meio e fim do outono, em que o nosso teto já é um pouco mais baixo, chega aos 26ºC e 27ºC, o que ainda é quente para a época do ano, mas porque obedece uma física — explica Caetano.
Julio Marques destaca que, à medida que o inverno se aproxima, o comportamento dos termômetros tende a se alinhar ao padrão climatológico. Dessa forma, aproxima-se da normalidade.
— A temperatura irá gradativamente diminuindo, mas ainda vai ter períodos de calor, principalmente esse resto de março e abril. Em maio, está apontando que podemos ter o "veranico" tradicional.
Fonte: GZH
Autor
Maira kempf
Em: 20/03/2026, 08:06

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