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Senacon investiga alta dos combustíveis sem reajuste da Petrobras

Órgão suspeita de infração econômica após postos repassarem custos baseados na crise internacional, ignorando a estabilidade de preços da estatal.
Senacon investiga alta dos combustíveis sem reajuste da Petrobras

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitou formalmente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma investigação sobre os recentes aumentos nos preços da gasolina e do diesel em diversas regiões do Brasil. O questionamento central da pasta é o fato de as altas estarem chegando às bombas mesmo sem qualquer alteração nos valores praticados pela Petrobras, que é a principal fornecedora do mercado nacional.

O movimento de alta foi registrado por sindicatos de revendedores em estados como Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Bahia, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. As entidades do setor justificam os reajustes pela disparada do preço internacional do petróleo, que ultrapassou a barreira dos US$ 100 por barril devido ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O temor global é de que o fechamento de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, restrinja a oferta mundial da commodity.

Apesar da pressão externa, a Petrobras mantém sua política de preços adotada desde 2023, que visa suavizar a volatilidade internacional no curto prazo para evitar repasses bruscos aos consumidores. Na prática, a estatal não anuncia um aumento para a gasolina desde janeiro de 2026 e para o diesel desde maio de 2025. Segundo o ofício da Senacon, os aumentos aplicados na ponta final chegam a R$ 0,80 por litro no diesel e R$ 0,30 na gasolina, o que pode configurar uma infração à ordem econômica.

Especialistas e analistas de mercado ressaltam que, embora a estratégia da Petrobras proteja o consumidor de oscilações imediatas, ela possui limites fiscais. Quando a defasagem entre o preço interno e o internacional se torna muito grande, surgem dúvidas sobre o impacto nos resultados financeiros da companhia e na arrecadação do governo, uma vez que os dividendos da estatal são peças fundamentais para o equilíbrio das contas públicas brasileiras.

Fonte: G1

B

Autor

Bruno Vargas

Em: 11/03/2026, 09:57

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