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Senado aprova fim da relativização de estupro de crianças

Proposta visa eliminar brechas que permitiam absolvição em casos de violência sexual contra menores de 14 anos e pessoas sem discernimento
Senado aprova fim da relativização de estupro de crianças
Projeto determina que as penas devem ser aplicadas independentemente do consentimento, da experiência sexual prévia da vítima ou de eventual gravidez resultante do ato. Foto : Jonas Pereira/Agência Senado

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (25) o projeto de lei (PL 2.195/2024) que encerra brechas para a relativização do crime de estupro de vulnerável. A proposta, que segue para sanção presidencial, altera o Código Penal para garantir que a presunção de vulnerabilidade seja absoluta para menores de 14 anos ou pessoas sem discernimento e capacidade de resistência. O texto determina que as penas devem ser aplicadas independentemente do consentimento, da experiência sexual prévia da vítima ou de eventual gravidez resultante do ato.

A iniciativa da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) surgiu como resposta a decisões judiciais recentes, incluindo uma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que absolveu um homem sob a justificativa de relacionamento consentido com uma criança. A nova legislação visa impedir que julgamentos desvirtuem a finalidade da norma, focando exclusivamente na incapacidade jurídica de consentir. Segundo a relatora, senadora Eliziane Gama, a medida é essencial para frear interpretações de tribunais estaduais que ainda ignoram o rigor da proteção ao incapaz.

A urgência da medida é amparada pelos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, que revelam estatísticas alarmantes: a maior taxa de violência sexual ocorre na faixa de 10 a 13 anos, com 233,9 casos por 100 mil habitantes. O levantamento também aponta índices críticos entre crianças de 5 a 9 anos e até mesmo em bebês de 0 a 4 anos. Com a sanção, o Legislativo espera fornecer uma ferramenta jurídica clara para aumentar a efetividade no combate à exploração e violência sexual infantil no Brasil.

Fonte: Correio do Povo

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Autor

Maira Kempf

Em: 26/02/2026, 08:58