Rádio Querência

Com animais doados, produtores gaúchos retomam trabalho após intoxicação que matou quase 50 vacas leiteiras

Bovinos morreram após ingerir forragem contaminada. Até agora, 23 vacas foram doadas aos agricultores
Com animais doados, produtores gaúchos retomam trabalho após intoxicação que matou quase 50 vacas leiteiras
Vacas morreram devido à contaminação por amônia, resultado de materiais presente na forragem. Sérgio Celso Tasso / Arquivo pessoal

 

Mais de um mês depois da morte de dezenas de vacas em uma propriedade de Novo Xingu, município de 1,6 mil habitantes no norte do RS, a família Witter começou a recompor o rebanho e retomar a produção leiteira.

Em fevereiro, 23 animais foram doados por produtores de diferentes municípios gaúchos. Dentre as doações estão 17 são vacas leiteiras, que já foram incorporadas na produção da família. 

Segundo a proprietária, Ana Witten, a média diária de leite registrada atualmente está em cerca de 400 litros por dia. Ela considera o volume aquém do ideal, mas promissor diante do cenário enfrentado.

— A maioria das vacas que chegaram veio de ambiente fechado, então ainda estão se adaptando ao novo manejo. Com o calor que faz aqui no Rio Grande do Sul, a produção fica mais difícil, mas está dando um gás e a gente está com bastante esperança — disse a produtora.

O valor arrecadado com doações por Pix também é usado para comprar mais animais e pagar as dívidas da propriedade.

Origem da intoxicação 

O quadro que levou à morte de 48 bovinos na propriedade segue sob investigação, mas análises veterinárias apontam para intoxicação por nitrito e nitrato como principal causa. Conforme apuração da reportagem, a origem do problema estaria na forma como o esterco foi incorporado às pastagens.

Em geral, o nitrito e o nitrato presentes no esterco são convertidos em nutrientes pelas plantas quando há sol suficiente para que ocorra a fotossíntese. Porém, com a falta de sol nos dias que antecederam o episódio, os elementos não foram absorvidos pelas raízes, permanecendo nas folhas.

Quando as vacas consumiram a forragem contaminada, o organismo dos animais converteu nitrito e nitrato em amônia, substância que provoca asfixia rápida nos animais, levando à morte em pouco tempo.

Relembre o caso

As mortes começaram a ser registradas em 2 de janeiro, na propriedade localizada na Linha Cotia, zona rural do município. Por volta das 5h30min, quando se preparava para levar o rebanho à ordenha, o produtor Vanderlei Witter, 44 anos, encontrou os quatro primeiros animais mortos.

Outras vacas, ainda vivas, apresentavam sintomas como salivação excessiva, falta de ar e dificuldade para se levantar. A família acionou uma equipe de médicos veterinários e autoridades municipais ainda na manhã daquele dia.

Segundo o secretário de Agricultura e Pecuária do município, Sérgio Celso Tasso, 15 animais foram enterrados até o final da tarde de 2 de janeiro. Na manhã do dia 3 de janeiro, o proprietário encontrou mais 16 cadáveres. No dia seguinte, em 4 de janeiro, o número chegou a 48 vacas mortas.

A propriedade onde a família trabalha há quase três décadas também se dedica à criação de suínos e ao cultivo de soja. O prejuízo estimado com a perda dos bovinos é de R$ 600 mil.

Fonte: GZH

R

Autor

redação

Em: 10/02/2026, 11:40

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