Polícia desvenda fraude bancária de R$ 2,4 milhões envolvendo gerente; mandados são cumpridos em Palmeira das Missões e Caçapava do Sul
Grupo teria usado dados de idosos e falecidos para contrair empréstimos fraudulentos. Eles conseguiram sacar R$ 1,4 milhão
20/01/2026 07:48 por redação
Esposa do gerente é uma das investigadas, mas as identidades dos alvos não foram reveladas. Polícia Civil / Divulgação
Um gerente-geral e outro funcionário de uma agência bancária no interior do Rio Grande do Sul são alvos de uma operação da Polícia Civil por suspeita de fraude na manhã desta terça-feira (20). Além dos dois, a esposa do gerente também teve prisão decretada.
A investigação do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) aponta que o grupo teria usado dados de idosos e até mesmo de pessoas já falecidas para realizar empréstimos milionários.
Durante a Operação Digital Fantasma, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva no município de Palmeira das Missões. Também são realizadas buscas em Caçapava do Sul, na Região Central. Além das prisões e buscas, há ordens judiciais de bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros.
O grupo, que seria formado pelo gerente-geral, um operador de sistema e familiares — entre eles, a esposa do gerente — teria articulado fraudes que somam, ao menos, R$ 2,4 milhões. A polícia não informou qual a instituição envolvida ou em qual cidade do interior do Estado o golpe foi aplicado.
A suspeita é de que eles tenham cometido as fraudes ao longo de pelo menos seis meses, no segundo semestre do ano passado. Foi o próprio banco que procurou a Polícia Civil, após perceber movimentações financeiras suspeitas.
Segundo o delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, o grupo monitorava contas inativas de clientes vulneráveis. Durante a investigação, foram identificadas sete vítimas do crime — além do próprio banco lesado — com idades entre 81 e 96 anos, além de pessoas já falecidas.
Depois disso, o operador do sistema inseria a própria digital nos leitores biométricos, como se fosse dos clientes, que tinham os cadastros no sistema alterados, incluindo a informação de que eram analfabetos. Isso era uma forma de driblar a necessidade de assinatura física. O gerente-geral ainda alterava outros dados do cadastro das vítimas, atribuindo a eles rendas milionárias, como forma de elevar a capacidade de crédito desses clientes. Depois disso, eram realizados empréstimos pessoais em nome dessas vítimas, que não tinham conhecimento da operação.
Disfarce para saques
Segundo a polícia, os valores eram sacados em espécie, muitas vezes pela esposa do gerente. Conforme a investigação, ela chegava a usar disfarces para não ser identificada, como moletom e capuz. Ao todo, foram identificados R$ 1,4 milhão em saques em dinheiro neste período.
A investigação se iniciou depois que foram detectadas pelo próprio banco inconsistências nas operações de crédito dentro da agência. A Polícia Civil passou a mapear a estrutura do grupo.
— A instituição financeira conseguiu detectar essas movimentações atípicas entre as contas das vítimas e dos funcionários. A partir daí, eles fizeram um trabalho de interlocução com a polícia, que permitiu a identificação dos responsáveis por essas transações fraudulentas — diz o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
Conforme a apuração, o gerente-geral atuava como mentor intelectual e chancelava as fraudes, já o funcionário realizava a fraude biométrica e os familiares faziam a logística de saque e lavagem de valores.
A operação
A ação leva o nome de Digital Fantasma em alusão ao modo de agir do grupo criminoso, que fazia uso da biometria para se passar pelos clientes idosos de contas inativas.
— Na investigação, o principal é revelar toda a estrutura do grupo, desde o mentor até a pessoa que realizava os saques, na ponta. Houve uma grande quebra de confiança por parte do gerente da agência bancária, que se usa de dados de clientes idosos, com mais de 80 anos, ou já falecidos. Os clientes não foram prejudicados porque o banco considera nulos esses contratos — afirma o delegado Heredia.
GZH
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