Rádio Querência

Eduardo Leite anuncia pré-candidatura ao governo do RS

Confirmação foi dada na tarde desta segunda-feira, em Porto Alegre
Eduardo Leite anuncia pré-candidatura ao governo do RS
Ranolfo, que era o candidato do partido, abraça Eduardo Leite após anúncio na Capital André Ávila / Agencia RBS

 

Setenta e cinco dias após ter renunciado, Eduardo Leite (PSDB) anunciou que disputará nas urnas um novo mandato de quatro anos à frente do Palácio Piratini. A confirmação, já delineada nas últimas semanas, foi feita em entrevista coletiva no início da tarde desta segunda-feira (13) na sede do PSDB, no centro de Porto Alegre, com a presença de diversas lideranças políticas.

Entre elas estava o governador Ranolfo Vieira Júnior, que era o candidato do partido para a sucessão, mas abriu mão em nome da continuidade do projeto. A avaliação política é de que a candidatura de Leite acaba se impondo por ele ter maior envergadura política e eleitoral, conforme demonstram as pesquisas realizadas até o momento. Leite disse que começou a amadurecer a ideia de disputar um novo mandato em janeiro, ante dificuldades de manter a base de apoio unida em torno de outro candidato e de apelos que passou a receber de setores empresariais pela continuidade. Citou reiteradamente ter sentido necessidade de se apresentar diante de outros postulantes ao Piratini que chamou de "populistas" à esquerda e à direita, que ameaçam romper com políticas construídas no seu governo, como a adesão do regime de recuperação fiscal. 

— O Rio Grande do Sul virou o jogo, mas o jogo não terminou. Me sinto responsável e comprometido para que o Estado não se perca no caminho, não tenha retrocessos. Temos contas e salários em dia, fazendo investimentos e isso nos faz sonhar com o futuro. Antes não tínhamos noites de sono, com credores batendo à porta — afirmou o pré-candidato tucano.

Com berço político em Pelotas, no sul do Estado, Leite buscou alçar voos nacionais e disputou as prévias do PSDB para concorrer à Presidência da República. Perdeu a disputa, mas ainda assim renunciou ao cargo de governador em 30 de março, de olho na eleição nacional — na expectativa de que o adversário, o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB), desistisse em seu favor.

Doria até acabou capitulando, mas o PSDB decidiu apoiar a senadora Simone Tebet (MDB) na disputa pelo Palácio do Planalto. Leite, então, voltou as atenções ao Rio Grande do Sul: dizendo-se preocupado com propostas populistas de direita e esquerda que ameaçam os resultados de austeridade construídos no seu governo, coloca-se novamente na corrida regional.

Outro emblema com o qual Leite terá de lidar provém das reiteradas declarações dadas ao longo da carreira de ser contra a reeleição. Ele sempre afirmou que não concorreria ao segundo mandato ao Piratini, mas agora o faz, abrindo margem para questionamentos.

O ex-governador reagiu à crítica de que, após o insucesso na tentativa nacional, voltou ao Rio Grande do Sul como plano B. Afirmou que, se quisesse ser candidato à Presidência a qualquer custo, poderia ter aceito uma das possibilidades que lhe foram oferecidas. O PSD, por exemplo, abriu legenda para a candidatura de Leite, mas ele optou por ficar no PSDB. Também afirmou que somente aceitou concorrer novamente ao Piratini por estar fora do governo, após a renúncia. Na atual condição, avaliou Leite, ele poderá concorrer "sem usar instrumentos do poder para conquistar votos ou negociar alianças e apoio".

Com a insistência de perguntas no tema do retorno e da mudança de posição, afirmou: — Quem vai fazer o julgamento é a população, a partir do que fizemos e a partir do que somos capazes de fazer nos próximos quatro anos. Um caminho seguro, que respeita, que não divide e que tem posição para entregar resultados.  

Haverá ainda tabus diante de Leite. Um deles é o fato de nenhum governador gaúcho ter sido reeleito na história pós-redemocratização. O tucano volta ao páreo apostando em resultados na gestão fazendária, no enfrentamento à pandemia, em estatísticas da segurança pública, nas sempre polêmicas privatizações concretizadas e na retomada de investimentos do setor público e privado em áreas diversas, incluindo infraestrutura.

Um aspecto que indica força da chapa de Leite é a provável aliança que irá costurar com partidos que foram aliados do seu governo. O Cidadania já está em federação com o PSDB e, além disso, tem conversas frutíferas com PSD, União Brasil e Podemos.

O grande desafio será conseguir um acordo com o MDB, de quem o PSDB espera retribuição pelo apoio dado a Tebet na disputa nacional. Algumas lideranças emedebistas apoiam o acordo, o que levaria à retirada da pré-candidatura de Gabriel Souza (MDB) ao Piratini — ele é apontado como candidato a vice na chapa de Leite.

Contudo, entre militantes, juventude e parte da velha guarda do MDB, é feroz a resistência à aliança com Leite. O assunto suscita mágoas e disputas pessoais, com potencial para ser traumático, sobretudo para o MDB. O discurso dos favoráveis à aproximação, como Germano Rigotto e José Fogaça, é de que seria um erro dividir o centro democrático em momento de polarização entre forças lulistas e bolsonaristas.

O governador Ranolfo, que abriu mão de disputar a eleição como candidato do PSDB, deixou a entrevista coletiva antes do final para tocar a agenda do Palácio Piratini. Ele reforçou o discurso de que Leite é o caminho seguro para o Rio Grande do Sul.

— Não podemos sequer imaginar a possibilidade de uma ruptura, de um retrocesso. O que me move na vida não são vaidades pessoais. Me honraria muito a possibilidade de dar prosseguimento, mas, nas conversas, entendemos que o nome do Eduardo Leite, nesse momento de polarização no cenário nacional, é o melhor para o projeto — avaliou Ranolfo.   

Fonte: Gaúcha ZH

M

Autor

Maira Kempf

Em: 13/06/2022, 11:11

Mais lidas
Rádio Querência reforça parceria com Grupo RBS e projeta cobertura especial para 2026
Rádio Querência reforça parceria com Grupo RBS e projeta cobertura especial para 2026

Nesta semana, a Rádio Querência recebeu a visita de Fábio Petrikicz, coordenador do Grupo RBS e responsável pelas emissoras afiliadas a Rádio Gaúcha.

Decreto estabelece turno único nas repartições públicas municipais em Coronel Bicaco
Decreto estabelece turno único nas repartições públicas municipais em Coronel Bicaco

O Poder Executivo determinou turno único nas repartições municipais de Coronel Bicaco no período de 4 de maio a 30 de julho deste ano

América F.C decide vaga na final da Copa Libertadores Regional neste sábado em Santo Augusto
América F.C decide vaga na final da Copa Libertadores Regional neste sábado em Santo Augusto

A partida será disputada no Ninho da Águia, em Santo Augusto, a partir das 15h30