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Polícia Civil prende torcedor suspeito de arremessar pedra contra o ônibus do Grêmio
O responsável pelo primeiro adiamento de um Gre-Nal na história por ato de violência foi preso pela Polícia Civil nesta quinta-feira (10). Em coletiva de imprensa no Palácio da Polícia, a delegada Ana Luiza Caruso confirmou a prisão de um jovem de 20 anos que a investigação aponta como autor do arremesso da pedra contra o ônibus do Grêmio no dia 26 de fevereiro. Sem antecedentes criminais, o rapaz foi preso em Tramandaí, no Litoral Norte, e teve a prisão preventiva decretada. Segundo a polícia, ele tem ligação com a torcida organizada Guarda Popular, do Inter. Ele tem publicações no Instagram que o vinculariam à torcida, conforme a polícia.
O torcedor vai responder por tentativa de homicídio com dolo eventual — quando o autor assume o risco de sua ação, mesmo sem querer o resultado. A pena pode variar conforme o entendimento do judiciário, dependendo de quão perto o acusado esteve de concretizar o homicídio. Segundo o Código Penal, seria de seis a 20 anos, podendo ser reduzida de um ou dois terços.
O nome do preso não foi divulgado em virtude da Lei de Abuso de Autoridade. O suspeito do ataque ainda não se manifestou, pois ainda busca um advogado para o defender. Existe a possibilidade que ele só fale em juízo. Segundo a Polícia Civil, uma tatuagem ajudou a identificá-lo.
— É um rapaz jovem, aparentemente obcecado pelo Internacional. A vida parece ser isso. Não tem antecedentes, mas é envolvido com muitas pessoas que têm antecedentes, inclusive de brigas de torcidas e outros crimes ligados à violência — continuou a delegada.
As investigações foram conduzidas pela 2ª Delegacia de Polícia da Capital, a comando da delegada Ana Luiza Caruso, e sob coordenação do diretor da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre, delegado Nedson Ramos de Oliveira.
Segundo a delegada, no dia do fato, o torcedor não entrou no estádio, mas quem o acompanhava, sim. Isso teria facilitado a investigação, visto que foi possível fazer a identificação deles. Todos teriam vindo de ônibus do Litoral Norte.
— A pedra foi arremessada e bateu em um banco antes de atingir o jogador. A gravidade dos fatos poderia ser ainda pior. O autor estava presente no Gre-Nal da última quarta e por isso foi pedida a prisão preventiva dele. A gente ainda precisava de uma comprovação, não tínhamos (o mandado) a prisão dele. Foi tudo muito rápido de todas as partes. O Inter colaborou de forma efetiva com a gente — disse Ana Luiza.
A polícia justificou que as imagens do ônibus do Grêmio, da Empresa Pública de Circulação e Trânsito (EPTC), dos batedores e do Beira-Rio ajudaram na identificação do torcedor preso. Mais quatro torcedores foram identificados e irão responder por criar tumulto.
— Não solicitamos a prisão preventiva (dos outros quatro) porque se enquadram em outra situação. Os requisitos são rígidos, mas todos vão responder procedimento e ser proibidos de frequentar estádios. Primeiramente, existe um artigo do Estatuto do Torcedor, que é provocar tumulto e incitar violência no entorno ou nos estádios. Vão responder com base neste artigo — assegurou Ana Luiza.
Conforme a delegada, apesar do suposto autor não ter se manifestado, quem o acompanhava teria dito que eles não imaginavam que o ônibus transportasse a delegação gremista, mas sim parte dos torcedores do Tricolor que se fizeram presentes no Beira-Rio.
No fim da noite, em nota no Twitter, a Guarda Popular negou que o suspeito tenha ligação com a torcida organizada.
— A Guarda Popular esclarece que a notícia publicada em alguns meios de comunicação de que o suspeito de ter arremessado a pedra no ônibus do rival pertence a seu quadro de torcedores é falsa. O suspeito preso preventivamente não pertence aos nossos quadros — diz parte da manifestação.
Fonte: Gaúcha ZH
Autor
André Motta
Em: 11/03/2022, 06:54

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