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Em carta de despedida, Renato Portaluppi fala do amor pelo Grêmio e diz: "Até breve"
A assessoria de imprensa do técnico Renato Portaluppi divulgou na segunda-feira uma carta de despedida da terceira passagem do treinador pelo Grêmio. Nela, o maior ídolo do clube destaca o amor que tem pelo clube e encerra lembrando que em breve estará de volta.
“Quero terminar falando do coração desse clube. A torcida do Grêmio, em especial a Geral do Grêmio, é simplesmente apaixonante. Em momentos de pandemia, a maioria dos estádios está vazia. Mas não a Arena. Ali do lado de fora, mais precisamente na Esplanada, tem alguém que sempre vai encher esse estádio. Posso estar longe fisicamente, mas aquela Estátua, que tanto me orgulha, sou EU e vai estar sempre pulsando pelo Grêmio. Obrigado a todos e até breve!”, termina a carta.
Antes, Renato lembra desde o convite feito pelo telefone e que não deixou o Dr. Adalberto Preis, vice de futebol na época, acabar de falar para confirmar que “estava dentro”. O técnico tricampeão da América destaca ainda que as conquistas que teve nestes 1.669 dias ou 4 anos, seis meses e 26 dias foram construídas com “homens”, que deram sangue pelo clube.
Fala sobre a alegria de ser o treinador com o maior número de jogos do Tricolor e agradece a todos que trabalharam em prol do Grêmio atingir as metas, como jogadores, pessoal de apoio do futebol, funcionários do CT e, em especial, os médicos.
Portaluppi ainda comenta sobre a alegria que teve no último sábado, quando os jogadores “invadiram” o seu quatro no hotel que serve de concentração para a delegação e de residência do treinador. “Ainda bem que o coração está em dia. Tive de expulsar eles depois da uma da manhã. E ainda queriam fazer churrasco para mim na segunda-feira. Mas aí não vou aguentar. Esse é o meu grupo!”
• Confira a carta na íntegra
DESPEDIDA RENATO PORTALUPPI
Quando o meu telefone tocou, em setembro de 2016 e do outro lado da
linha estava o Dr. Adalberto Preis, não precisei nem esperar ele terminar de
falar. “Estou dentro, Dr. Pode contar comigo que estou voltando”. O Grêmio
não me chama, o Grêmio me convoca. Sempre foi assim e sempre vai ser.
Foram quase cinco anos de muita dedicação, de muito trabalho e,
principalmente, de muitas alegrias. Batemos metas muito importantes,
recolocamos o clube no caminho das grandes conquistas e me orgulho de
cada dia de trabalho, de cada treino, de cada gota de suor, de cada lágrima,
de cada jogo e de cada aprendizado, nas vitórias e também nas derrotas.
Se hoje sou o treinador com mais jogos no comando do clube, e isso é uma
alegria que não cabe dentro do peito, devo a muita gente. Ao presidente
Romildo, que durante todo esse período esteve ao nosso lado e fez de tudo
para que sempre tivéssemos as melhores condições de trabalho. Nos
momentos bons e nos momentos de dificuldade, ele sempre estendeu a mão
e isso não tem preço.
Desde o primeiro dia de trabalho em 2016, criamos um relacionamento com
o grupo de jogadores que sempre foi de respeito e admiração mútuas.
Passaram pelo clube atletas extremamente profissionais, dedicados,
inteligentes, amigos e que deram o sangue por essa camisa. E tenho certeza
que continuará sendo assim. O Grêmio tem um grande grupo de homens. E
por falar em grupo, uma das maiores alegrias que eu tive aconteceu no
último sábado. Já estava fora da quarentena e à noite, por volta das 21h,
tive uma surpresa linda. O grupo inteiro “invadiu” o meu quarto do hotel
para me abraçar. Ainda bem que o coração está em dia. Tive de expulsar eles
depois da uma da manhã. E ainda queriam fazer churrasco para mim na
segunda-feira. Mas aí não vou aguentar. Esse é o meu grupo! Não é fácil ficar
quase cinco anos sem ter nenhum problema com jogador.
E o que é que eu vou dizer de todos os funcionários do clube? Que saudade
que eu vou sentir de cada um deles. As “gringas” do restaurante fazem uma
comida maravilhosa e eu estava sempre ali fazendo uma boquinha. Os
massagistas, os seguranças, na grande figura do Fernandão, chefe da
segurança do Grêmio e da seleção brasileira, pessoal da rouparia, da
fisioterapia, todos eles. Queria poder abraçar cada um e agradecer
pessoalmente por tudo que fizeram ao longo desse período.
Preciso fazer um agradecimento especial ao departamento médico, que é
um dos melhores do Brasil. Dr. Márcio, Dr. Rabaldo e Dr. Gabriel sempre
tiveram muito cuidado comigo, em todos os momentos. E também o Dr.
Leandro Zimerman, cardiologista, que teve participação fundamental
também.
Claro, nem tudo são flores quando você tem um convívio de tanto tempo.
Tive de puxar a orelha de alguns, trazer outros para a realidade da vida, mas
“É O QUE EU DIGO PRA VOCÊS”, dentro do vestiário nunca teve crise. Todos
os nossos problemas nós resolvemos internamente, com o grupo blindado
e sólido o tempo todo.
Quero terminar falando do coração desse clube. A torcida do Grêmio, em
especial a Geral do Grêmio, é simplesmente apaixonante. Em momentos de
pandemia, a maioria dos estádios está vazia. Mas não a Arena. Ali do lado
de fora, mais precisamente na Esplanada, tem alguém que sempre vai
encher esse estádio. Posso estar longe fisicamente, mas aquela Estátua, que
tanto me orgulha, sou EU e vai estar sempre pulsando pelo Grêmio.
Obrigado a todos e até breve!
Fonte: CP
Autor
Ed Junior
Em: 20/04/2021, 05:18

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