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OMS afirma que covid-19 se tornará endêmica; entenda o que isso significa

OMS afirma que covid-19 se tornará endêmica; entenda o que isso significa
  A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na última quarta-feira (13) que a covid-19 pode se tornar outro vírus endêmico e que, talvez, não desapareça tão cedo. Em teleconferência de Genebra (Suíça), o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, ressaltou que é muito difícil prever quando o coronavírus possa ser vencido.
– O HIV não desapareceu – comparou Ryan.
A OMS destacou também que não há garantia de que o fim do confinamento, que foi aderido por muitos países, não gere uma segunda onda de contágios. Segundo Ryan, ainda há um "longo caminho a percorrer" para que tudo volte ao normal.
A seguir, saiba mais o que significa a covid-19 atingir o status de endemia.

O que é endemia?

Em março, a covid-19 foi classificada pela OMS como pandemia, ou seja, uma doença com casos se manifestando em várias partes do planeta. Já endemia não está relacionada com questões quantitativas.
De acordo com Claudio Stadnik, infectologista da Santa Casa de Misericórdia e professor do curso de Medicina da Ulbra, uma doença endêmica é aquela cujo número de casos se manifesta regularmente, podendo ocorrer apenas em determinadas regiões.
– Ou seja, não existe um pico da doença, mas sim um platô. O número de casos vai acontecer muitas vezes durante meses ou anos – aponta Stadnik. – Como endêmica entende-se que a doença tem, ocasionalmente, um número X de casos. Esse número por ser alto ou baixo. Uma doença endêmica pode ocorrer em um lugar, mas não em outro.

Quais são os exemplos de doenças endêmicas no Brasil?

Conforme a pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a infectologista Nancy Bellei, há vários exemplos de vírus respiratórios que circulam normalmente, mas sem causar uma pandemia.
– O vírus sincicial respiratório, por exemplo, é endêmico. Tem um período do ano que acontece mais em algumas áreas do mundo. Normalmente algumas crianças, que nunca entraram em contato, podem ter um quadro mais grave – explica.
Stadnik destaca, por exemplo, que dengue é endêmica no Brasil:
– Sempre temos um determinado número de casos em uma região de tempos em tempos.
O HIV, citado na teleconferência da OMS, também é outro exemplo de doença endêmica.
– Temos sempre um número de novos casos porque novas pessoas vão pegando o vírus. Isso pode acontecer com a covid-19, com novos pacientes contagiados – completa Stadnik.

O que significa a classificação da covid-19 como endêmica?

De acordo com Stadnik, a perspectiva de que o coronavírus se torne um vírus endêmico é porque não será uma doença que vai reduzir os casos e acabar nos próximos meses.
– É uma doença que vai ter um pico, reduzir e estabilizar num certo número de casos, de tanto em tanto tempo, de uma maneira regular – observa.

Por que a OMS citou a possibilidade da covid-19 ser endêmica?

De acordo com Nancy, a OMS fez esse alerta por conta das recorrências:
– A covid-19 está sendo constatada em áreas onde, aparentemente, não estava sendo mais sendo detectada. Como, por exemplo, essas recorrências que ocorreram na China. Tudo leva a crer que ele continue circulando.

O que poderia mudar no nosso cotidiano caso a covid-19 se tornasse endêmica?

Para Nancy, isso vai depender da maneira como o vírus evoluir. Caso se torne um vírus atenuado, não deve mudar nossa forma de viver, e tudo volta a ser como antigamente. Se continuar um vírus que continua circulando de tempo em tempo, vai depender de ter vacina.
– Um vírus que demora para se ter vacina, continua com a mesma patogenicidade, fica reinfectando a população, que demora ter sorologia positiva contra ele, aí nós vamos ter que continuar nesse ambiente de quarentena ou de isolamento social – atesta.

A descoberta de uma vacina não significaria um controle rápido da doença?

Stadnik diz que a vacina aceleraria o controle da doença, além de ser maior e melhor esperança de solução do problema. Mas há uma ressalva:
– Temos exemplos na história da humanidade de doenças que foram encontradas vacinas extremamente eficazes, como por exemplo, o sarampo. Mesmo assim, a doença segue existindo. Há lugares em que ocorre mais, e em outros menos. Olha que já temos a vacina do sarampo há mais de 30 anos. Nem toda vacina consegue erradicar a doença.
Já Nancy ressalta que mesmo com a vacina, ainda se levaria um tempo para que essa imunização se espalhasse.
– Então, digamos que você chegue a vacina em um ano e meio. Aí você tem a distribuição da vacina, que é demorada. Você tem que imaginar que há produtores de vacina. Qual é a capacidade de produção de vacina para pessoas? Por exemplo, vacina de gripe a gente tem o que, dois ou três bilhões de doses de vacina por ano, talvez. Que vacina vai ser essa que teremos? Vamos conseguir produzir um bilhão de doses de cara? Que regiões vão ser vacinadas? Vai haver uma transferência de tecnologia para outros produtores de vacina produzirem a mesma fórmula? Então, você vai continuar tendo doença – reflete.

O que pode dificultar a erradicação da covid-19?

Além de ser uma doença nova que pouco se sabe a respeito, uma dificuldade é o próprio vírus em si.
– Vírus normalmente tem mutações com o passar do tempo, o que pode dificultar essa erradicação, pois a vacina pode não ter 100% de eficácia. Esse vírus é extremamente contagioso, o que faz com que haja uma disseminação muito rápida – avalia Stadnik.

No que se pode ser otimista em relação ao combate da covid-19?

Para Nancy, um ponto animador é que a velocidade das pesquisas vai permitir um cenário mais tranquilo. Ela crê na possibilidade de testes rápidos e baratos.
– Pesquisas de ponta vão trazer testes muito rápidos e mais baratos, como se fosse teste de gravidez, que a gente compra na farmácia. E serão muito melhores do que a gente tem agora, permitindo até a liberações de escola, trabalho e eventos, enquanto aguardamos uma vacina – teoriza.
Stadnik também confia na velocidade da ciência de hoje em dia, que tem sido muito rápido a cada ano que passa.
– Algumas doenças levaram 200 ou 300 anos para ter algo descoberto algo em relação a tratamento –expõe. – Não tenha dúvida que vamos encontrar soluções. Certamente a covid-19 não vai ser endêmica em todo mundo. Vamos continuar enfrentando esse problema.  
*GaúchaZH
K

Autor

kempf.maira

Em: 18/05/2020, 07:35

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