Redator da carta que vai compilar as reivindicações e apontamentos do fórum ao governo federal, o governador do Rio Grande do Sul,
, destacou que a reunião dos governantes é importante para demonstrar unidade no enfrentamento à crise sanitária.
“As demandas apontadas pelos governadores em relação ao governo federal são vitais para que possamos encarar os desafios sanitários e econômicos que se apresentam”, disse Leite por meio de comunicado.
Os comandantes estaduais solicitaram o apoio do
Congresso para viabilizar medidas que auxiliem os Estados diante da crise. Personagem que também criticou a postura de Bolsonaro em relação às medidas de isolamento, o presidente da Câmara dos Deputados,
Rodrigo Maia, também participou do encontro e afirmou que Congresso dará atenção e celeridade necessárias para auxiliar no pleito.
Maia pediu aos governadores que elenquem projetos prioritários para análise do Legislativo e que tenham impacto econômico de curto prazo no combate à pandemia. O presidente da Câmara também sugeriu que os governadores não entrem no debate sobre romper as medidas de isolamento social nos Estados, destacando que a prioridade é a saúde das pessoas.
— Acho que a gente tem que sair desse enfrentamento sobre abrir ou não abrir, sair do isolamento ou não sair, porque isso nada mais é do que a pressão de milhares de pessoas que aplicaram seus recursos na Bolsa, acreditaram no sonho, na prosperidade da Bolsa a 150 mil pontos. Ela está a 70 mil por vários problemas. E a gente não pode deixar de cuidar das pessoas porque as pessoas estão perdendo dinheiro na Bolsa de Valores — disse.
Os chefes de Executivo também pediram a suspensão por 12 meses do pagamento das dívidas deles com a União. São Paulo e Bahia já obtiveram decisões no Supremo para não pagar por 6 meses, desde que apliquem os valores no combate à pandemia.
Na carta final do encontro, que buscou ser propositivo e evitar críticas exacerbadas a Bolsonaro, é recomendada a aprovação de um projeto urgente de renda mínima e a viabilização de recursos livres da União. Os governadores pedem a redução da meta de superávit fiscal, que hoje na verdade é um déficit permitido de até R$ 124,1 bilhões em 2020.
O grupo também pede a aprovação no Congresso do chamado
Plano Mansueto, elaborado pelo secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, que prevê acesso de Estados e municípios a empréstimos da União tendo como garantia promessa de ajuste fiscal.
Um ponto central do embate entre o Planalto e os Estados, a decisão sobre quarentenas, foi quase unânime: governadores defenderam seguir orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que vem apoiando o isolamento social para conter a curva de infecção do coronavírus.
Maia disse para os governadores serem objetivos, e afirmou que há espaço para três pontos emergenciais: o Plano Mansueto, a MP do emprego e o projeto de renda mínima para a crise.
Crise econômica
A reunião foi secretariada por
Doria, que é um dos coordenadores do fórum, e centralizada por meio de videoconferência numa sala de reuniões do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
O
impacto econômico da crise dominou as intervenções de quatro minutos de cada governador.
— Eu tenho muito medo dos reflexos econômicos. Tem cidade de 5 mil habitantes em quarentena, sem nenhum caso. Como é que vão ficar as pequenas e micro-empresas do país? Vai ter saque, como fica esse país? — disse Mauro Mendes (DEM-MT), um dos aliados de Bolsonaro.
— Ele se tornou presidente confrontando todo mundo nesse país. Nós temos de ter serenidade, senão tornaremos a crise da saúde a maior crise econômica da história — afirmou Mendes.
Já Antônio Denarium (PSL-RR), outro bolsonarista, citou Doria e disse que "precisamos de harmonia e serenidade" na crise, repetindo com sinal trocado a frase do paulista pela manhã ao presidente.
— O principal ponto é que estamos numa luta dupla. Uma luta contra o coronavírus, mas também contra uma recessão, talvez uma depressão — afirmou Romeu Zema (Novo-MG). Ele repetiu o tom de que é preciso defender empregos e empresas, e que é preciso envolver o Congresso no processo.
Helder Barbalho (MDB-PA) defendeu tarefas conjuntas para geração de emprego nos Estados.
— Que possamos criar um amplo programa de transferência de renda para famílias pobres, tendo como referência os beneficiários de programas já existentes — disse, afirmando que há R$ 1 trilhão em recursos do Tesouro em receitas vinculadas não utilizadas.
— Momento difícil — afimou Paulo Câmara (PSB-PE), citando a primeira morte pela pandemia no Estado.
— As restrições estão no caminho correto. Os Estados têm de se preparar — completou.
Outro oposicionista, Wellington Dias (PT-PI), exemplificou o drama de Estados mais pobres. Disse que o apoio federal é imprescindível neste momento, ao mesmo tempo em que enfatizou a necessidade de seguir as orientações da OMS.
— O Brasil tem R$ 1,5 trilhão em reservas internacionais. Usar só 20% disso poderia salvar os empregados, a economia informal, a agricultura familiar — pontuou Fátima Bezerra (PT-RN).
A reunião ocorreu depois da turbulenta videoconferência entre o Jair Bolsonaro e os governadores do Sudeste, que ficou marcada pela
dura altercação entre o presidente e o tucano Doria.
*GaúchaZH