vem acirando os ânimos nos últimos dias. A situação piorou no sábado, dia 19, por volta das 18h:30min, quando o cacique Carlinhos Alfaiate, 52 anos, sofreu uma tentativa de homicídio e teve sua casa incendiada por um grupo rival.
Segundo o cacique, o grupo - cerca de 15 pessoas - chegou em sua residência disparando contra ele, que conseguiu fugir. Sua esposa foi ameaçada e obrigada a sair do local, que foi incendiado. Carlinhos passou a noite e boa parte do domingo na mata. Ele foi encontrado pela polícia sem ferimentos.
Os desentendimentos acontecem por divergências entre o cacique e o seu vice, Vanderlei Ribeiro. No início deste ano, o vice-cacique se autoproclamou cacique da reserva, mas, as autoridades competentes não reconheceram o cacicado. Desde então, a situação é de tensão entre os grupos.
Devido ao clima de ânimos alterados dentro da aldeia, as aulas nas duas escolas existentes no local foram suspensas nesta segunda-feira,21.
E o que aconteceu com ela?
Ela enfrentou tudo sozinha. Ameaçaram e colocaram uma arma na cabeça dela. Despejaram gasolina e colocaram fogo na minha casa. Ela viu tudo. Ela reconheceu a maior parte das pessoas que estavam ali. Três eram de fora, estavam encapuzados. A PF esteve aqui hoje (domingo), estamos pedindo apoio e reforço. São pessoas que querem intimidar nossa comunidade. Querem que tudo seja feito do jeito deles, mas sou o cacique e fui eleito democraticamente. A maioria da comunidade me apoia.
Esse ataque tem a ver com a disputa de poder que ocorre na sua tribo?
Sim. São pessoas que nos ameaçam. Intimidam. Eles querem tomar o cacicado à força. A maioria da comunidade não aceita e não concorda com esse tipo de problema. Procurei as autoridades para dar mais segurança à comunidade. Amanhã não vai ter aula em duas escolas por causa desse clima. Eles faltam com respeito.
E por que os ânimos se acirraram entre você e o vice cacique?
São pessoas que vinham praticando coisas sem meu conhecimento e que não concordo. São irregularidades em vários setores de trabalho. Meu trabalho é transparente. A gente tenta resolver tudo na conversa, caso contrário, usamos as leis internas e corrigimos as pessoas. E isso meu vice muitas vezes não concorda. A comunidade onde ele mora (setor de Pedra Lisa, em Tenente Portela) é problemática. A gente só cumpre as leis internas. É a maneira de nos organizarmos.
E onde o senhor vai morar daqui para frente?
Perdi tudo. O fogo destruiu tudo que a gente tinha. Roupas, documentos. Estou pedindo apoio para parentes e vizinhos. Estamos tentando achar um local dentro da comunidade para ficar.
Na sua opinião, o que vai acontecer daqui para frente?
Pedi o apoio da PF para resolver isso. Não estamos lidando com gente pequena. É gente que pratica crime. Sempre fui correto em meu trabalho, mas eles não querem que seja do jeito que quero. Já é a segunda vez que se tenta fazer um conflito na comunidade. Sou cacique de quase oito mil índios e quero trabalhar para todos.