Rádio Querência

Agrometeorologia dos cultivos

Agrometeorologia dos cultivos
  Agrometeorologia dos cultivos  

Cristiano Nunes dos Santos

  Olá, hoje o assunto é Agrometeorologia dos Cultivos. Conceitualmente “a influência específica das condições ambientais em uma dada cultura agrícola e suas particularidades denomina-se Agrometeorologia dos Cultivos”. Em palavras mais simples, significa entender como o clima influencia o sucesso ou fracasso de uma cultura agrícola. Várias pesquisas demonstram que a agricultura é a atividade econômica mais dependente das condições climáticas. O problema é que os agricultores não exercem nenhum controle sobre os fenômenos naturais, e isso faz com que até 80% da variabilidade da produção agrícola se deva às mudanças meteorológicas durante o ciclo da cultura. Entre as variáveis meteorológicas que afetam o crescimento, desenvolvimento e produtividade das culturas, temos: precipitações (chuvas, granizos e geadas), temperatura do ar, radiação solar, fotoperíodo, umidade e, vento. O assunto é tão importante que em 2009 o pesquisador José Eduardo Monteiro lançou, pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), o livro “Agrometeorologia dos Cultivos – O fator meteorológico na produção agrícola” (click sobre o nome para acessar o livro no site do inmet), literalmente um manual de 530 páginas especificando as necessidades climáticas das principais culturas comerciais do país, entre elas a nossa soja, tão importante no município e na região. Vamos então a algumas informações importantes sobre a cultura da soja (e antes que alguém pergunte “mas não é o soja?”, não, não é, pois a palavra soja é um substantivo feminino, portanto o certo é a soja). O primeiro plantio da soja no Brasil foi em 1882 na Bahia, sem sucesso. Em 1891 foi a vez de São Paulo com algum sucesso e, em 1890 no RS, se estabelecendo como cultura de valor comercial mundial somente na década de 50. Entre suas necessidades climáticas, a mais importante é a disponibilidade hídrica. Basicamente 90% do peso da planta de soja é água. O momento em que a planta mais necessita de água é durante a floração-enchimento de grãos, onde o consumo pode ficar entre 7 a 8 mm/dia, num total de 120 a 300 mm durante esse período (que pode durar de 30 a 60 dias de acordo com a cultivar plantada), com uma necessidade total de 650 a 700 mm de água durante todo o ciclo da planta. A temperatura ideal para a soja é em torno de 30°C, sendo a temperatura mínima em 10°C e a máxima em 40°C. Para semeadura, a temperatura ideal para uma ótima emergência é de 25°C. Em relação à radiação e fotoperíodo, a soja requer ambientes não sombreados, respondendo melhor quanto mais exposta a radiação solar. Já quanto ao fotoperíodo, a soja é uma planta de dias curtos, ou seja, seu florescimento ocorre quando os dias começam a ficar mais curtos (o dia mais logo do ano, ou seja, com maior exposição solar é 21/12, e a partir desta data os dias começam a ficar mais curtos, indo assim até 21/06 quando temos a menor exposição solar no nosso hemisfério). O capítulo que trata da soja no livro ainda traz informações gerais sobre a soja, além do seu comportamento em eventos como granizo, chuvas intensas, seca e veranico, raios, e o zoneamento de risco climático. Mas qual a importância de saber essas informações? Vamos a um exemplo. No primeiro texto desta coluna, em 11/06/2019, apresentei os dados de precipitação de Santo Augusto. Se considerarmos como período de floração os meses a partir de janeiro, a quantidade média de chuvas são 143,9 mm em janeiro, 117,5 mm em fevereiro, 122,5 mm em março e 116,5 mm em abril. Pensando em até 60 dias de floração-enchimento de grãos, o melhor período é janeiro e fevereiro, com um acumulado de 261,4 mm. Só lembrando que o consumo de água ideal para a soja, nesse período de floração-enchimento, é de 120 a 300 mm. Você deve estar pensando “ok, a quantidade média de chuva do período praticamente contempla a necessidade da soja”, porém precisamos lembrar que nem toda a chuva que chega ao solo vai ser absorvida. Parte da chuva pode escoar pela superfície se a intensidade da chuva for maior do que a capacidade de infiltração do solo, além disso, da chuva que o solo consegue absorver, uma parte vai infiltrar além da zona de absorção das raízes e outra parte vai evaporar no primeiro sol após a chuva. Resumindo, se você conhece as necessidades climáticas da soja e tem acesso as características climáticas do seu município, será mais fácil de planejar a lavoura, garantindo assim uma boa produção. No exemplo que usei, se quisermos ter um máximo rendimento na nossa região, necessariamente temos que pensar em irrigação.   Tenham uma boa semana e até a próxima. E para saber um pouco mais sobre o assunto, não se esqueçam de visitar a minha página em crisnunessantos.pro.br   Cristiano Nunes dos Santos Professor do IFFar – Campus Santo Augusto      
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kempf.maira

Em: 02/10/2019, 14:06

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