Rádio Querência

Mal da Vaca Louca: "nunca tivemos e nem teremos epidemia"

Mal da Vaca Louca: "nunca tivemos e nem teremos epidemia"
Recentemente o Brasil resolveu suspender as exportações de carne bovina para a China depois de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida popularmente como Mal da Vaca Louca. O caso ocorreu em Mato Grosso, em uma vaca de 17 anos de idade. Foi notificado e liberado pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) sem alteração do status sanitário do Brasil e qualificando como “risco insignificante da doença”. A EEB doença neurodegenerativa fatal, que afeta a espécie bovina. A doença é causada por uma proteína, chamada príon. Os príons causam a morte das células cerebrais, formando buracos no cérebro, parecidos com os de uma esponja. A doença surgiu na década de 80, na Inglaterra. No Brasil o último caso foi em 2010. O país consta como livre desde 2012 e desenvolveu um método de prevenção com análise de ração utilizada nos rebanhos. O Portal Agrolink conversou com a Médica-Veterinária, Erivânia Camelo, chefe de gabinete da presidência do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) sobre a ocorrência da doença. Confira: Portal Agrolink: Do ponto de vista sanitário a medida brasileira de suspender as exportações para a China é correta? Erivânia Camelo: foi uma precaução que o Brasil teve, mediante acordo comercial com a China, em que qualquer suspeita de caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida também como vaca louca, o Brasil suspenderia imediatamente a emissão dos certificados sanitários. A suspensão temporária das exportações foi para cumprir esse acordo até a conclusão das investigações sanitárias e o cumprimento de protocolos exigidos pela China. Sanitariamente foi diagnosticado um caso atípico da doença, que ocorre esporadicamente e aleatória, se manifesta em animais velhos, como mais de 10 anos e em final de produção A EEB atípica é uma alteração aleatória de proteína normal que sofre um processo de transformação, originando a forma anormal, que se replica e acumula nas células do sistema nervoso central, causando a doença no indivíduo. Não há possibilidade de contágio entre animais, nem perigo de haver contaminação através do consumo de produtos de origem animal. A legislação, nestes casos, não obriga nenhum país a suspender as exportações e sanitariamente não há necessidade disso, mas o Brasil cumpriu o acordo com a China, e continua exportando para outros países. Esse caso serviu sim para mostrar a grande eficiência do serviço veterinário brasileiro, que conseguiu atuar na inspeção, detectar e notificar rapidamente. Em breve a China vai analisar o protocolo e o Brasil retomará às exportações para os chineses. Portal Agrolink: Qual o procedimento quando ocorre um caso dessa doença na propriedade? Erivânia Camelo: a partir do resultado positivo de laboratório, tomam-se as medidas sanitárias que seriam: imediatamente interditar a propriedade; verificar se existem outros animais com alguma sintomatologia neurológica, especialmente, a idade dos animais, pois é uma doença que atinge animais adultos, acima de 8 anos de idade; verificar se houve movimento de animais entre propriedades; verificar se o rebanho está vacinado contra raiva para descartar diagnósticos confundíveis com a EEB. Portal Agrolink:  Como o pecuarista identifica isso? Erivânia Camelo: É uma doença que pode ser confundida com outras doenças neurológicas, especialmente a raiva. O diagnóstico só ocorre com análise laboratorial do tronco encefálico, realizado após a morte do animal. Clinicamente falando não há como o proprietário ter certeza, mas ele pode ficar atento às alterações neurológicas mais perceptíveis, como: nervosismo, reação exagerada a estímulos externos e dificuldade de locomoção e, na fase terminal, ficará prostrado. Importante é que quando ocorrer o óbito do animal, o proprietário deve comunicar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial para que coletem o material encefálico que será encaminhado para laboratório. Portal Agrolink:  O Brasil corre risco de uma epidemia? Erivânia Camelo : Nós nunca tivemos uma epidemia de EEB no Brasil. Só tivemos três casos e todos eles atípicos. O Brasil continua com o risco insignificante e toma todas as medidas sanitária. Nunca tivemos e nem teremos uma epidemia, graças ao trabalho desenvolvido pelo Serviço Veterinário do Brasil. Por: AGROLINK -Eliza Maliszewski
E

Autor

edjunior

Em: 12/06/2019, 11:57

Últimas notícias
Brigada Militar intercepta contrabando de cigarros e causa prejuízo de R$ 224 mil ao crime organizado
Brigada Militar intercepta contrabando de cigarros e causa prejuízo de R$ 224 mil ao crime organizado

O cerco policial integrou os efetivos dos municípios de São Martinho, Boa Vista do Buricá e Santo Augusto

Mulher ataca escritório da Corsan com martelo após falta de água em Passo Fundo
Mulher ataca escritório da Corsan com martelo após falta de água em Passo Fundo

Companhia afirma que a suspeita mora em área de ocupação e não é cliente cadastrada da empresa

Conta de luz sobe o triplo da inflação no RS: RGE aplica reajuste médio de 16,06% a partir de sexta-feira
Conta de luz sobe o triplo da inflação no RS: RGE aplica reajuste médio de 16,06% a partir de sexta-feira

De acordo com a Aneel, a forte alta é reflexo de custos setoriais que fogem do controle direto da distribuidora

Santo Augusto será representado na 56ª Ciranda Cultural de Prendas e 38º Entrevero Cultural de Peões em Independência
Santo Augusto será representado na 56ª Ciranda Cultural de Prendas e 38º Entrevero Cultural de Peões em Independência

A partir desta sexta-feira (19), a cidade de Independência será o palco de um dos momentos mais importantes para o tradicionalismo da nossa região.

Copom corta Selic para 14,25% ao ano em meio a incertezas globais
Copom corta Selic para 14,25% ao ano em meio a incertezas globais

É a terceira redução consecutiva de 0,25 ponto percentual nos juros básicos

Mal da Vaca Louca: "nunca tivemos e nem teremos epidemia" | Rádio Querência