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"Ele me pediu como fazia para falar com o juiz" diz Juçara
Nesta terça-feira, 11, acontece o segundo dia de julgamento dos réus acusados de matar Bernardo Boldrini. Um dos depoimentos mais esperados e emocionantes até o momento foi da empresária Juçara Petry. Arrolada pelo Ministério Público como testemunha de acusação, ela começou a falar logo depois das 09 horas.
Considerada por Bernardo como mãe – inclusive homenageada por Bernardo nas atividades do Dia das Mães na escola – Juçara contou detalhes do dia a dia da criança. Ao menos dos últimos dois anos, onde, segundo ela, o convívio foi quase diário.
Ela disse que ele ficava em sua casa toda semana, às vezes posava até três dias. Por não ter roupas adequadas, estar mal vestido e muitas vezes queixar-se de fome, Juçara tentou contato com Graciele, mas não obteve retorno positivo, contou. “Até as unhas eu tinha que cortar, a única coisa era o cabelo, ele sempre estava cortadinho. [...] Compramos até materiais escolares para ele. A gente comprou uma mochila para ele com um lugar secreto, para ele guardar a chave de casa, mas ela sempre sumia”. Um celular também foi entregue ao menino pela família Petry, para que Bernardo pudesse se comunicar com as pessoas quando ficava perambulando pelas ruas.
“Ele usava as minhas roupas, a maioria eram as minhas roupas. O aniversário do Be foi em nossa casa, o pai e a madrasta não fizeram nada para ele. Na Primeira Eucaristia fomos nós que acompanhamos na igreja, compramos uma roupa e fizemos um almoço”, disse ela. Nesse dia, Leandro teria buscado Bernardo no final da tarde na casa de Juçara após uma ligação do filho.
Um dos momentos marcantes do depoimento foi quando Juçara disse que Bernardo pediu a ela como fazia para falar com um Juiz. “Não disse o motivo, mas pediu”. Em seguida, ela contou que Be foi ao Fórum, mas não lhe contou detalhes da sua visita ao judiciário. Nessa visita, Bernardo procurou o judiciário para reclamar da conduta do pai e madrasta. Audiências com o menino e também com o pai foram realizadas para tratar do caso. Em conjunto com as partes decidiram dar uma nova chance para uma reconciliação.
Juçara também se emocionou quando contou que constantemente ajudava Bernardo nos “temas” da escola. “Teve uma vez que ele confessou que errou a tabuada de propósito, porque se não o tio Carlinhos (marido de Juçara) não ia mais ensinar ele”. Ela afirmou que “Bernardo era uma criança inteligente, um guri bom, não era esquizofrênico, era honesto”, defendeu.
O depoimento de Juçara Petry terminou às 11h50min. A Juíza suspendeu os trabalhos para intervalo de almoço. A sessão será retomada às 13 horas.
Autor
lccomunic
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