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Clima derruba safra de soja no Brasil
O produtor de soja Antonio José Meireles Flores, de Naviraí (MS), viu a produtividade de suas terras despencar de um ano para o outro. Áreas que no ano passado produziam 61 sacas por hectare, este ano estão entregando 32 sacas. Na média, em seus 3 mil hectares de terra, a perda na produção está estimada entre 15% e 18%. E a culpa, segundo Flores, é do clima. "Foi um ano diferente, com setembro bastante chuvoso, quando fizemos o plantio", disse. "Mas em novembro só tivemos chuvas isoladas e a soja já ficou manchada, castigada pela seca."
A situação vivida por Flores se repete em outros pontos do País, e os especialistas fazem as contas das perdas que a soja - principal produto na pauta brasileira de exportações - terá este ano. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do governo federal, prevê, até o momento, uma quebra de 4 milhões de toneladas em relação à safra recorde do ano passado, de 119,3 milhões para 115,3 milhões de toneladas - semelhante à produção da safra 2016/2017.
Mas, para a Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil), a quebra na safra 2018/19 pode chegar a 16 milhões de sacas, numa colheita esperada inicialmente de 117,2 milhões de sacas, por conta de problemas climáticos em 12 Estados. "Esse é o montante até o momento, mas a quebra pode ser ainda maior", disse o presidente da associação, Bartolomeu Braz, com base em levantamentos encerrados no início deste mês.
O Paraná apresentava perdas mais severas, de 30%, seguido da Bahia e Piauí (20%) e Goiás (17%). "Já estamos pensando numa estratégia para repactuação das dívidas dos produtores, inclusive pensando em securitização", disse Braz.
Receita menor
Caso se confirme a previsão da Conab, tida como a mais conservadora, a perda de receita para os produtores está estimada em R$ 4,3 bilhões, levando em conta o preço médio de R$ 65 a saca. Se a quebra atingir o que preveem as consultorias, mais pessimistas, a perda no rendimento bruto da safra pode passar de R$ 7 bilhões.
De acordo com o engenheiro agrônomo Adriano Gomes, da consultoria AgRural - que projeta uma safra de 112,5 milhões de toneladas, quase 7 milhões a menos que no ano passado -, a falta de chuvas em dezembro afetou a produção de soja no oeste do Paraná, principalmente na faixa ao longo do Lago Itaipu, e na região de Dourados, em Mato Grosso do Sul. "No sul de Mato Grosso do Sul, vimos produtores colhendo de 15 a 30 sacas por hectare, quando deveriam colher o dobro."
*Correio do Povo
Autor
lccomunic
Em: 17/02/2019, 21:00

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