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Derrubadas pede na Justiça paralisação da Usina Foz do Chapecó
A Foz do Chapecó Energia S.A., empresa que administra a Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, é alvo de uma ação na Justiça Federal ajuizada pelo município gaúcho de Derrubadas, onde fica o Parque Estadual do Turvo.
No processo, que está em fase de instrução, o município pede indenização por danos ambientais causados pela usina e requer a paralisação da operação da hidrelétrica até a comprovação da normalização do fluxo de água no Salto do Yucumã.
Segundo o assessor jurídico da prefeitura de Derrubadas, John Regis Gemelli dos Santos, a ação contra a empresa foi tomada após diversas tentativas de estabelecer um acordo. Ele explica que, desde o início da operação da usina, em 2010, o município acumula prejuízos em sua principal atividade econômica, o turismo. “Nós estamos pedindo uma reparação indenizatória e que façam o controle do volume de água”, afirma.
Gemelli diz que o fluxo de turistas que visitam o Salto do Yucumã tem caído significativamente nos últimos anos, o que seria uma consequência direta do aumento do nível do Rio Uruguai, que encobre o salto e prejudica a visibilidade durante o dia.
Uma possível solução proposta pelo município é a alteração no horário de vazão da hidrelétrica, com a abertura das comportas apenas à noite. A direção da Secretaria de Meio Ambiente do RS já teria feito um pedido ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos para que altere a regra de operação da usina, de forma a antecipar o horário de liberação de água e ampliar o período de visibilidade do salto.
Inicialmente ajuizada perante à Comarca da Justiça Estadual de Tenente Portela/RS, a ação do município de Derrubadas foi transferida para a esfera federal.
ESTUDO
No final de 2016, o assunto foi tema de uma audiência na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul., com a presença de prefeito, vereadores, secretários municipais e empresários de turismo. Na ocasião, foi apresentado um estudo sobre a relação entre o fechamento e abertura das comportas da usina com o volume de água no salto.
“Não foi feito estudo de impacto ambiental após a construção da usina. Atualmente não temos como dizer quando o Salto está encoberto e nós vamos brigar pela preservação da maior queda longitudinal do mundo”, disse na época o prefeito de Derrubadas, Almir José Bagega, em entrevista ao jornal Folha do Noroeste.
A direção da Foz do Chapecó não compareceu à audiência e informou, via ofício, que somente irá se pronunciar nos autos do processo. A empresa contesta os impactos da usina sobre o Salto do Yucumã e diz que a implantação da hidrelétrica “se deu em estrito cumprimento das obrigações previstas no contrato de concessão celebrado com a Agência Nacional de Energia Elétrica”.
NOTA DA FOZ DO CHAPECÓ ENERGIA S.A. NA ÍNTEGRA
A Foz do Chapecó Energia entende que a operação da Usina não prejudica a visibilidade do Salto do Yucumã, bem como não há prejuízos provocados pelo empreendimento sobre o turismo e a economia do município de Derrubadas.
A implantação da hidrelétrica se deu em estrito cumprimento das obrigações previstas no contrato de concessão celebrado com a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e mediante a adoção de todas as medidas definidas nos estudos ambientais e exigidas pelo órgão ambiental competente (IBAMA).
Ressalta-se que a Usina Foz do Chapecó é uma usina a fio d’água, ou seja, caracterizada por um reservatório de pequenas proporções. Assim, toda água que chega à usina deve ser vertida ou turbinada, não acumulando volume significativo. Portanto, a existência da Usina Foz do Chapecó não altera as vazões à sua jusante e, desta forma, não é responsável por impactos nas variações de volume de água. Registra-se também que a distância entre a barragem da Usina e o início do Salto Yucumã é de 158 km pela calha do rio Uruguai.
Por último, destacamos que a empresa está ciente da audiência pública realizada e das alegações sustentadas pelo município de Derrubadas, mas mantém sua posição de que os referidos impactos não existem.
Por ser um assunto que tramita em esfera judicial, a Foz do Chapecó Energia optou por não participar da audiência pública. Tanto a empresa como o município de Derrubadas usufruem do direito de defender seu posicionamento perante a Justiça, dentro do processo legal e democrático estabelecido.
Fonte: RedeComSC
Autor
lccomunic
Em: 18/04/2017, 21:00

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