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Inter empata com o Fluminense e está rebaixado para a Segundona
Acabou. Os erros de um ano inteiro levaram o Inter ao rebaixamento. O clube comandado por Vitorio Piffero agora pertence à segunda divisão. O Inter trocará de turma em 2017, passando a conviver com ABC, Luverdense, Ceará, Brasil-Pel, Juventude, Paysandu, entre outros em busca de ascensão. O imponente Beira-Rio se tornará atração turística na Série B. A confirmação do descenso chegou no subúrbio carioca, o Estádio Giulite Coutinho, a casa do America, um cenário de segunda e com o Inter repetindo o mau futebol de uma temporada inteira.
O empate em 1 a 1 com o Fluminense foi o último e deprimente capítulo do pior ano da centenária história colorada. O Milagre de Mesquita não aconteceu, o Inter precisava pelo menos vencer a sua partida. De novo, não conseguiu. E, assim, o Apocalipse em vermelho não foi adiado.
O cenário para o clássico não poderia ser pior. A cidade de Mesquita tem ruas estreitas, feias, sujas, com gatos por todos os lados nos postes de luz e um ambiente hostil. Parece uma zona de guerra. O campo do America é modesto, porém, simpático. Mas longe, muito longe da importância do jogo. O Inter encarou um palco de Série B para decidir o seu futuro. E sob um calor escaldante, com sensação térmica na casa dos 40° C, com um mormaço que deixaria Porto Alegre em janeiro parecendo o paraíso.
Assim que o Inter entrou em campo para o aquecimento — com números pretos às costas, em homenagem às vítimas do voo da Chapecoense -, foi recebido aos gritos de "ão, ão, ão, segunda divisão". Com pouca gente no estádio ( um total de 3.847 torcedores), qualquer grito de incentivo dos colorados era imediatamente rebatido pelos cariocas, com o mesmo xingamento direcionado ao time de Lisca: ão, ão, ão, segunda divisão.
Os cerca de 500 bravos colorados reagiram e devolveram assim para a torcida do Fluminense: ão, ão, ão, terceira divisão — em referência à queda do clube para a Série C, em 1998. E os cariocas retrucaram: "Grêmiooo, Grêmioooo, Grêmiooooo". E assim foi a tarde inteira. E foi assim até mesmo no primeiro segundo depois do minuto de silêncio, em respeito às vítimas de Chapecó.
Então foi hora de a bola rolar. O Fluminense leve, sem nada mais a fazer no Brasileirão. O Inter, jogando o futuro e o seu orgulhoso patrimônio de Série A. Logo a dois minutos, Vitinho invadiu a área e passou para Valdívia. O gol parecia certo, mas o cabeludo atacante não dominou a bola e, quando conseguiu se ajeitar, bateu rente à trave, para fora.
Não demorou para que o Fluminense passasse a dominar o Inter. Danilo Fernandes salvou, aos 13 minutos. Nem mesmo o sanguíneo Lisca parecia reagir. Estava sentado no banco de reservas, em vez de ficar aos berros na área técnica, como de costume. O Inter parecia aceitar passivamente o seu destino. E já chovia quando Vitinho cobrou uma falta frontal na arquibancada, perto de um torcedor que segurava uma enorme letra "B".
Aos 42 minutos, a defesa falhou pela direita, Henrique Dourado cruzou e Alex derrubou Richarlison. Pênalti. Richarlison cobrou e Danilo Fernandes, jogando com as luvas em homenagem ao goleiro da Chapecoense, Danilo, defendeu no canto direito. Um pequeno milagre no subúrbio.
— Essa defesa foi para o Danilo — disse o goleiro colorado, no intervalo.
O primeiro tempo chegou ao final com o Inter ainda vivo. Em Recife, o Figueirense empatava em 0 a 0 com o Sport e devolvia ao Inter o investimento de R$ 2 milhões de bicho extra para não perder na Ilha do Retiro — mais R$ 2,5 milhões bancando a folha salarial em atraso dos catarinenses, bem como a viagem a Pernambuco -, resultado que combinado à vitória colorada em Mesquita impediria a queda gaúcha. Mas o Inter também empatava em 0 a 0.
O Fluminense voltou para o segundo tempo com o goleiro reserva, Marcos Felipe, uma vez que o titular, Júlio César, sentiu a coxa. Obrigado a vencer, o Inter se atirou ao ataque. Quase levou um gol aos dois minutos, em contra-ataque de Wellington. Aos 10 minutos em Mesquita, gol do Sport em Recife. A torcida do Fluminense, então, se ergueu em uníssono: "ão, ão, ão, segunda divisão" e "arerêêê, o Inter vai jogar a Série B". E os jogadores colorados ouviram e viram a sua torcida se calar. De nada adiantava pagar o Figueirense se o próprio Inter não conseguia vencer a sua decisão.
Aos 26 minutos, Douglas arrisca de dentro da área, a bola desvia nas costas de William e engana Danilo Fernandes. O rebaixamento do Inter chegou às 18h30min desse domingo, na Baixada Fluminense.
Fonte: RD Gaúcha
Autor
lccomunic
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