Decisão da 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça muda, neste momento, o curso do processo de liquidação voluntária da Cotrijui, aprovada no ano passado.
A partir da solicitação de um dos credores, o desembargador Vicente Barroco de Vasconcellos determinou a suspensão dos efeitos da assembleia em que se decidiu pela liquidação.
Na prática, isso significa que as execuções de cobrança podem ser retomadas. A notícia chega na hora em que a Cotrijui recebe a safra gaúcha de verão cultivada em um dos principais polos de produção, a região Noroeste.
A capacidade de armazenagem é significativa: 1 milhão de toneladas. Ainda cabe recurso à decisão.
“Acreditamos que temos condições de reverter. Se não for possível, o agricultor seguirá com a segurança do armazém geral”, diz Claudio Lamachia, advogado da Cotrijui em relação à condição que garante ao associado a propriedade dos grãos depositados.
Fernando Pellenz, advogado do credor – a Chinatex Grains and Oils –, faz uma avaliação diferente: acha remota a possibilidade de alterar a determinação da Justiça.
A solicitação para suspensão dos efeitos da assembleia foi feita sob o argumento de irregularidades "da convocação à assembleia em si".
E já havia motivado decisão da Junta Comercial para cancelar o arquivamento da ata. “Essa moratória que fizeram foi uma tentativa frustrada de barrar a ação dos credores”, opina Pellenz.
A hipótese de realização de nova assembleia não está descartada. Com dívida estimada em mais de R$ 1 bilhão, a Cotrijui é uma das principais cooperativas do Estado, com cerca de 19 mil associados.
Na assembleia em questão, votou-se a favor da liquidação voluntária, ferramenta que suspende por período de um ano, prorrogável por mais um, as execuções de cobrança.
Fonte: Zero Hora.
Postado por: Maira Kempf