Michele Silva Rodrigues, que confessou ter asfixiado até a morte sua filha Mirela, de cinco anos, teria ameaçado a criança no dia do assassinato, na cidade de Bagé. A vizinha Luciana Rosa de Souza lembra de agressões anteriores e da ameaça:
"Ela (Mirela) me contava: 'Tia, aconteceu assim: eu 'tava' sentada no banheiro e minha mãe veio e me deu um tapa na minha cara e eu bati na piá'. Aí ela (Michele) quis remendar: 'não foi assim, que a Mirela resbalou e caiu'. Porque a Mirela me contou que, em Caxias, ela 'deu muito' na Mirela. A Mirela me disse 'tia, eu fui internada como louca. Me atavam'. Quando eu botei a guriazinha lá, ela disse assim para a guriazinha: 'tu é um fardo, tu é um peso, eu vou te matar'".
Dos três meses que a menina passou em Bagé, em dois ficou com a vizinha. Segundo a cunhada da mulher, Miriam Alves Machado, era comum Michele delegar a vizinhos e parentes a função de cuidar da filha.
"Quando a Mirela nasceu, quem cuidou a avó materna. Ela não banhava, não trocava fralda, não dava mamadeira. Então, desde que a Mirela nasceu, ela (Michele) sempre foi 'ruaceira'. Então era direto nas festas, festas, festas e não teve aquela convivência. Eu acredito que foi por isso que ela não tinha amor de filha".
O namorado da mulher, Marcio Alves Machado de 28 anos, conta que, em Caxias, onde Michele viveu até vir para Bagé, ela era usuária de drogas. Ele lembra que a mulher costumava culpar a filha por todas desgraças:
"Ela alegava que a filha dela, assim como ela relatou pra mim, que ela teve vários relacionamentos lá em Caxias que ela quase se casou, que ninguém quis ela por causa da Mirela. Inclusive, no dia do relato, ela disse que a Mirela era o que estragava a vida dela. De certo, foi por isso que ela fez.”
Ele revela sentimentos ambíguos da mulher: ao mesmo tempo em que cobrava dele amor de pai por uma filha que não era sua, também dizia odiar a criança. No dia do assassinato, o casal brigou por ciúmes de outras mulheres e por Mirela. Marcio acabou indo dormir na casa da mãe. Esse álibi, e o fato de a mulher ter guiado as buscas até onde estava o corpo, levaram a polícia a descartá-lo dos suspeitos.
Para o vizinho Euclides Antunes Marques, ela já levantou suspeita quando tentou inventar que a filha tinha desaparecido no meio da noite: "Ela nem tava se abalando. Eu disse: 'é ela que causou, tchê'. Digo: 'toda vida é ela'. Não vi, não sei, mas mas é ela, pelo semblante e pelo jeito que é. Fria, fria, fria, fria".
A cuidadora da criança também compartilha a mesma opinião. "Ela mata, enterra e ainda jura de pé junto que não fez. Porque ela dizia 'eu não fiz, eu não fiz'. E ela fazendo? Assassina fria. Ela matou a filha dela a frio", sentencia a vizinha.
Michele está presa por homicidio triplamente qualificado no presídio regional de Bagé. Ela era dona de casa em Bagé e, quando estava em Caxias, era sustentada pela mãe. Veio morar na Campanha porque tinha um filho de um ano e oito meses com Marcio, que precisava de cuidados.
Fonte: RD Gaúcha
Postado por Fernando Almeida