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Com pé 54, Márcio continua precisando de doações para encontrar calçados
Bastante conhecido em Santo Ângelo e até no Estado, por conta do tamanho dos seus pés, o jovem Márcio André Pinto Matje, 27 anos, continua dependendo do auxílio da comunidade para conseguir calçados. Ele conta que está apenas com um sapato, em situação precaríssima, todo remendado com arames, e uma sandália, que não encontra-se em condições melhores.
Aos 16 anos, Márcio começou a ter problemas para encontrar calçados. Ele foi diagnosticado com um anomalia denominada de gigantismo, uma doença rara provocada pelo excesso de hormônio do crescimento na infância. Márcio teria um nível leve da doença. O jovem realizou exames em Porto Alegre e o diagnóstico apontou que ele teria que conviver com a situação, já que não existe um tratamento para o seu caso. Hoje, os pés de Márcio não crescem mais, porém, ficaram no número 54, o que dificulta, é bastante, que sejam encontrados calçados. Basicamente apenas sob medida podem ser adquiridos chinelos, sandálias, sapatos, botas ou tênis que abriguem os pés do rapaz.
O sapateiro Jorge Oliveira da Silva, proprietário da Sapataria Silva, que há mais de 10 anos confecciona sapatos e sandálias para Márcio, comenta que sempre participa de campanhas para ajudar o rapaz. "Faço o calçado praticamente pelo custo. Mas o matérial é muito caro e devido ao tamanho da forma , tive de mandar fazer uma especial para fabricar esses pares". Ontem pela manhã, Jorge mediu novamente os pés de Márcio e confirmou o número 54.
O valor de um par de calçados para Márcio custa em torno de R$ 330,00 sendo sapatos e um pouco mais barato, R$ 220,00, no caso de sandálias. Quem estiver disposto a ajudar pode ir direto na sapataria, localizada na rua Marechal Floriano, 2033, ou ligar para o telefone 3312-6293. Doações de qualquer valor são aceitas.
DIFICULDADES
Desde que sua história tornou-se conhecida, Márcio tem contado com o auxílio da comunidade para conseguir calçados. Ele reside no bairro Colméia, com os pais e mais alguns de seus 10 irmãos. Junto com os pais, ele trabalha com reciclagem. "Devido ao baixo valor do papelão, que é nosso produto, se trabalhar o mês inteiro não consigo comprar nem um sapato", conta.
Márcio auxilia no sustento da família. "Tenho irmãos menores e prioridade em ajuda-los", desabafa. "Já sofri preconceito devido ao meu tamanho, parei de estudar na 4° serie devido a esta situação", diz ele, que nem gosta de se lembrar dos vários apelidos recebidos nesse tempo, muitos deles extramente pejorativos.
"A maioria da população gosta de mim", diz satisfeito, mas sem esconder a mágoa do passado.
Postado por Adriano Martins Fonte: A Tribuna
Autor
lccomunic
Em: 26/01/2012, 22:00

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