O indicativo de greve do magistério que será votado a partir das 13h30min desta sexta-feira, na Capital, consolida uma nova estratégia do Cpers no embate com o governo estadual.
A convocação de paralisações no final do ano — prática que amplifica a dor de cabeça de alunos e familiares por ameaçar planos de férias, participação em vestibulares e festas de Natal e Ano-Novo — vem substituindo antiga prática sindical de preservar os últimos meses de aula.
Até três anos atrás, o Cpers seguia uma regra tácita de programar as greves para o começo ou o meio do ano letivo – o que permitia uma folga maior na recuperação das aulas e evitava transtornos nas férias de verão e nos vestibulares.
Desde que essa tradição foi quebrada, com 15 dias de greve em novembro de 2008, a assembleia de hoje poderá decretar a terceira paralisação em sequência com o mesmo perfil. A segunda mobilização tardia ocorreu em dezembro de 2009.
Pontos em debate:
Piso salarial
Cpers — Pagamento imediato do piso nacional, de R$ 1.187 para 40 horas. O Cpers argumenta que, mesmo tendo assinado a lei juntamente com outros ministros à época, como governador Tarso Genro não a colocou em prática.
Secretário de Educação — Sustenta que Tarso assinou documento durante a campanha no qual se comprometia a criar condições, ao longo de seu governo, para cumprir o piso. Informa que não há qualquer possibilidade financeira de pagar imediatamente o piso.
Sistema de avaliação
Cpers — Não concorda com o sistema destinado a avaliar a eficiência do ensino por meio de uma série de indicadores que incluem condições de trabalho, frequência e abandono dos alunos, por considerar que responsabiliza os professores por dificuldades estruturais.
Secretário de Educação — Não pretende retirar a proposta da pauta e considera que o Cpers adota uma posição “simplista de quem não quer aprofundar a proposta”. O secretário afirma que a própria secretaria será alvo de avaliação por parte da comunidade escolar no sistema previsto.
Critérios de promoção
Cpers — Que o governo desista de publicar decreto que deixou de ser implantado por pressão da categoria, em outubro, e que altera as regras de promoção. Considera que as mudanças trariam um cunho de meritocracia ao definir critérios mais objetivos de avaliação dos professores.
Secretário de Educação — Afirma que, hoje, os critérios de promoção por merecimento são subjetivos e baseados em critérios pouco claros como “trabalho pedagógico insuficiente, bom ou muito bom” — sem definição clara de que quesitos devem ser cumpridos para alcançar o nível “bom” ou “muito bom”.
Reforma do Ensino Médio
Cpers — Não concorda com as mudanças destinadas a aproximar o Ensino Médio do mercado de trabalho. Elas preveem, entre outras novidades, a inclusão de disciplinas diversificadas em áreas de interesse de cada escola e a realização de “estágios” dos alunos em ambientes profissionais.
Secretário de Educação — É uma das principais bandeiras da SEC, incomodada com os índices de repetência e abandono do Ensino Médio — de 40%. Argumenta que, hoje, o modelo desse nível de ensino está “completamente falido” e nem prepara para o vestibular, nem garante profissionalização.
Rádio
Nenhum programa no ar
Professores decidem hoje se entram em greve mesmo com proximidade do fim do ano letivo
Fonte: ZERO HORA
Autor
lccomunic
Em: 17/11/2011, 22:00

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