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Expectativa é de que juros cresçam ainda mais no país
Para o analista de mercado e professor de economia, Argemiro Luis Brum, esse corte no orçamento da União de R$50 bilhões já havia sido anunciado anteriormente, mas agora foi confirmado efetivando o retardamento de muitos investimentos e talvez até a prorrogação para o próximo ano de algumas aplicações a título de investimentos que o governo poderia fazer. Ele explica que todas as áreas que o governo selecionou serão atingidas e de certa forma "prejudicadas", pois a União precisava tomar uma atitude para conter os gastos. "O atual governo precisa, mais uma vez, administrar um outro abacaxi ligado à situação de cortar despesas se possível, para controlar a economia, mas não só para controlar a inflação e sim, também, para não aquecer em demasia o conjunto total da economia que não tem infraestrutura para sustentar o crescimento econômico que do ano passado e que aparentemente foi de 7,5%", enfatizou.
O analista de mercado ressaltou acreditar que dado a situação de dívida pública e da pressão inflacionária que não vai terminar tão cedo, é provável que esse corte não seja suficiente. Embora o governo e membros desejem e anunciem dessa maneira, tudo indica que algo mais terá que ser feito. "Não sei se exatamente na linha do corte orçamentário, mas parece que ainda é pouco pelo tamanho da crise que se instalou pelo governo passado", afirmou. Ele explica que há uma curiosidade nessa lógica de conter gastos, travar a economia para travar a inflação e manter a instabilidade da economia, o que será discutido na reunião do Copom que encerra hoje, onde se especula que aconteça um novo aumento na taxa selic.
Todas as medidas que o governo vem tomando paralelamente ao aumento dos juros visa segurar esse aumento, porém conforme Brum, será difícil, pois a inflação medida pelo IGP-M do último mês acabou registrando 1% em fevereiro, o que é extremamente elevado, ultrapassando 11% ao ano, com o PCA seguindo uma tendência semelhante. "As coisas são preocupantes para esse ano e o próximo e o governo se vê obrigado, se não quiser desestabilizar toda economia e perder o controle sobre ela, a atacar de forma mais dura os pontos que estão preocupando, momentaneamente o setor", explicou.
Argemiro destaca que o principal a ser feito, seria o governo adotar medidas estruturais e isso só irá acontecer se houver as famosas reformas da economia e do Estado brasileiro, que são as medidas tributárias, administrativas, políticas dentre outras, que se não forem feitas dificilmente o país sairá desse círculo vicioso de aceleração e crescimento da economia, "mas a inflação volta e a infraestrutura não aguenta, tendo de retroceder novamente, como está acontecendo. Podendo retroceder bem mais do que manter o PIB em 5%, apesar do ministro Guido Mantega afirmar que a ideia é essa, da forma como está, talvez o PIB brasileiro seja ainda menor, chegando de 4% a 5%, sendo uma queda da metade do que foi em 2010, o que obviamente tem impacto em toda economia, em todo país, inclusive no RS", finaliza.
Autor
lccomunic
Em: 01/03/2011, 21:00

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